Casa dos Coimbras - Reunião Familiar

Missa pelas 10:30
horas na Capela da Nossa Senhora da Conceição da Guia, celebrada pelo Senhor
Padre Bruno Nobre, da Companhia de Jesus, com homilia em honra de Nossa Senhora
da Conceição, Padroeira de Portugal.
Antes da
Missa, o 14º Administrador da Capela e Casa dos Coimbras, D. Rodrigo de Coimbra
de Queiroz Vasconcelos e Lencastre, proferiu as seguintes intenções da Missa:
“1ª. A Missa terá como primeira intenção a de
satisfazer as disposições testamentárias do Dr. João de Coimbra, provisor do
Arcebispo de Braga, D. Diogo de Souza, e instituidor do Morgadio dos Coimbras,
dando-lhe como cabeça esta Capela de Nossa Senhora da Conceição da Guia, que o
mesmo Dr. João de Coimbra escolheu para seu sarcófago e aqui se encontra
sepultado.
2ª. A segunda intenção será para que o Reverendíssimo
Cónego António Macedo, nosso Capelão de longa data, que se encontra em
convalescença prolongada, brevemente se restabeleça, e que, igualmente, se
encontre melhor, a nossa amiga Elisa Cunha e Silva, que tantas vezes participou
nestas nossas reuniões – possam ambos estar aqui presentes de hoje a um ano,
celebrando connosco, nesta capela, Nossa Senhora da Conceição, Padroeira de
Portugal.
3ª. Como terceira intenção, pedimos pela nossa
Tia Guidinha, D. Margarida Maria Lencastre, Matriarca da nossa Família, terno
exemplo para as gerações que lhe sucedem, na vivência e testemunho dos bons
Princípios e Valores herdados dos nossos antepassados e que devemos transmitir
aos nossos filhos e netos. Pedimos a Nossa Senhora que a continue a guardar em
saúde, graça e longevidade.
4ª. Como o valor da Missa é infinito, ele será
também aplicado por aqueles, já falecidos – e são já tantos – sem esquecer o
meu Avô D. António de Lencastre (13º Administrador do Morgadio dos Coimbras),
minha Avó D. Maria da Graça de Lencastre, meu Pai D. Miguel de Lencastre, meu
Tio e Padrinho, D. João de Lencastre e minha Tia Maria José de Lencastre, meus
Tios-Avós, Primos, parentes e amigos, que acorreram a esta cerimónia que,
consecutivamente, se tem realizado há mais de 47 anos, sob a tutela de Nossa Senhora
da Conceição da Guia.”
5ª. Do mesmo valor infinito da Missa esperamos que
alguma graça ou réstia de virtude nos caiba, a nós, os vários que tão
devotamente a ela assistimos e presenciamos, pedindo a Deus e a Nossa Senhora
de Portugal que nos concedam saúde e paz, a nós e às nossas famílias.”
Após a Missa,
seguiu-se o tradicional brinde com vinho fino do Douro, tomado na Sala do
Capítulo da Torre dos Coimbras, durante o qual D. Rodrigo Lencastre proferiu
palavras de boas-vindas a todos os convidados, baseadas nas seguintes notas
previamente preparadas:
Um primeiro agradecimento
dirigido a Deus e a Nossa Senhora da Conceição (data festiva) pelo privilégio
de podermos estar reunidos desde há 47 anos para cá – por esse privilégio,
fazemos a nossa Acção de Graças.
Um segundo agradecimento aos
presentes: Familiares e Amigos. Como é tradição, felicitamos de forma especial
os estreantes nestas andanças (o Sr. Padre Bruno Nobre que celebrou pela
primeira vez a nossa Missa Mariana, minha prima Maria da Graça de Sousa Cardoso
Milheiro da Costa e seu marido José Milheiro da Costa, minha prima Teresa
Lencastre e seu noivo Bernardo Gaivão, minha prima Ana Filipa Lencastre e seu
marido Pedro Manuel Rodrigues Lacerda Vieira e suas duas filhas Rita e Sílvia, os
nossos amigos Gonçalo Bastos Pinto e António Augusto dos Santos Costa, o meu
primo Pedro Lencastre Monteiro e finalmente o meu pequeno primo e afilhado, com
apenas uma Primavera celebrada há dois dias, D. João de Lencastre, filho varão do meu Primo
Gaspar e que assim prolonga a nossa longa “varonia lencastrina”).
Sejam bem-vindos ao Clã.
Este ano, a razão das minhas
palavras visa a Dignificação da palavra Pátria, o que Ela significa na riqueza
da sua plenitude e a afirmação dos Valores que encerra. Para tal, recorri a
escritos do arquivo do meu Pai, D. Miguel de Lencastre, um grande português e,
quando vivo, um combatente acérrimo em defesa dos bons valores do Portugal
etéreo, em tempos de guerra e de paz. Este texto, data de Outubro de 2011, mas
permanece mais actual que nunca:
“No Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora,
lê-se que a Pátria é “o país em que cada um nasceu e de que é cidadão”.
Contudo, a Pátria é algo de muito mais profundo, complexo e precioso.
A Pátria é a moldura que circunscreve e reflecte as
virtudes e defeitos de um povo, a identidade de uma Nação e a História que lhe
deu o Ser e a Alma.
A Pátria reúne em um só livro o Passado e o Presente,
gerando ainda de forma indelével responsabilidades em relação ao futuro.
A Pátria portuguesa tem quase nove séculos de
História!
Esta tem luzes e sombras, narra grandes feitos,
epopeias, cobardias e traições, mas é inegável que enriqueceu de forma notável
o Património da Humanidade.
A nossa Nação, no decorrer da sua já longa existência,
foi governada por muitos e diversos Sistemas Políticos. Estes, melhores ou
piores, são sempre limitados no seu tempo de vida. Eles são efémeros; a nossa
Pátria deve ser perene.
A Pátria Portuguesa não é só o sacrário da sua
memorável História; Ela está viva e, por isso, preparada para nos orientar no
presente e ajudar a traçar o rumo para o futuro. Por isso, Ela responsabiliza e
obriga os Portugueses de hoje a administrar com todo o zelo e desvelo o seu
Património para, sem o desbaratar, ser transmitido às gerações vindouras.
Enfim, a Pátria deveria ser a “menina dos olhos” dos
Portugueses e a sua musa inspiradora.”
E no entanto…
O Ensino oficial, a Literatura protegida, o Teatro e o
Cinema subsidiados, a Comunicação Social dedicaram-se a achincalhar,
ridicularizar, deturpar e até maldizer a Pátria.
A ideia de lutar e morrer pela Pátria tornou-se
retrógrada e reaccionária. Impera hoje, a castradora máxima “mais vale um
cobarde vivo que um herói morto”.
Hoje, se perguntarem aos nossos jovens o que é para
eles a Pátria, a maioria responderá que é o sítio onde por acaso nasceram.
Para colmatar o vazio deixado pela morte dos Valores
Pátrios, entronizou-se o materialismo em todas as suas vertentes, tendo este
como preceito, fruir e gozar o presente, esquecer o passado e alijar as
responsabilidades em relação ao futuro.
Por isso se incentivou de forma desbragada o
consumismo, o hedonismo nas suas diversas facetas e se coroou como rei o
relativismo que nega tudo o que é Absoluto e Sagrado.
Um patriota, espécie não protegida em vias de
extinção, com amarga ironia escreveu: “O lema que vigorou no século passado foi
“Deus, Pátria e Família”. Neste século, a diferença é pequena, basta
acrescentar um “A”. Assim teremos Adeus Pátria e Família”.
Meu Pai terminava estes seus escritos sempre com a
mesma interrogação:
“Portugal, para onde vais?”
A resposta a esta pergunta afigura-se cada vez mais
lúgubre.
Termino com um pequeno prolongamento de filho,
relativamente ao pensamento de seu Pai.
A nossa Pátria também começa nas nossas Casas, no
nosso Lar, na nossa Família.
Sustém-se também nas correntes de Amizade e Lealdade
que forjamos ao longo da vida.
Materializa-se em pedras inter-geracionais, erigidas
num passado e preservadas no presente, rumo a um futuro.
A Pátria eleva-se ainda em Fé, num singelo altar de uma pequena
capela mariana do Século XVI, ao redor do qual se congregam anualmente alguns
portugueses de carácter.
E, finalmente, a Pátria celebra-se também em rituais
solenes, dignos e nobres, sejam eles cerimoniados em efemérides formais e
oficiais, de grande pompa e circunstância, sejam eles vividos num modesto
brinde com Vinho Fino, comungado no seio de uma família de sangue e amizade,
alentando-nos o animo, a coragem e a esperança para se cumprir o nosso
Portugal!
Onde houver dois ou três portugueses de alma, haverá
sempre Portugal!
PORTUGAL!
PORTUGAL! PORTUGAL! VIVA!
Seguiu-se um
almoço-convívio no restaurante “Palatu”, no centro histórico da cidade de Braga,
no final do qual, cumprindo a tradição, o actual Administrador leu para todos a
Acta, relativa à reunião familiar do ano de 2023.