"Os Valores são os princípios indiscutiveis, que deverão servir de âncoras e alicerces à construção do que denominamos Ética de Vida.
Nós acreditamos nos Valores que, ao longo dos Séculos, têm dado provas de muito terem contribuido para dar sentido, significado e dignidade à existência humana.
Assim sendo, o Pai que somos, tem por imperativo moral de transmitir, da melhor forma que sabe, esses princípios aos seus descendentes."

Miguel Lencastre em "De um Pai para os Pais do Presente e do Futuro" - 2010

segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

8 de Dezembro de 2025

Capela e Casa dos Coimbras – Reunião Familiar
 

Missa pelas 12:00 horas na Capela da Nossa Senhora da Conceição da Guia, celebrada pelo Senhor Padre António Pamplona, da Companhia de Jesus, com homilia em honra de Nossa Senhora da Conceição, Padroeira de Portugal.
 
Antes da Missa, o 14º Administrador da Capela e Casa dos Coimbras, D. Rodrigo de Coimbra de Queiroz Vasconcelos e Lencastre, proferiu as seguintes intenções da Missa:
 
“1ª. A primeira intenção da Missa será para satisfazer as determinações testamentárias do Dr. João de Coimbra, a quem se deve a construção desta Capela em 1525, há exatamente 500 anos, tendo-a escolhida para seu sarcófago, na qual se encontra sepultado, e onde viria a assentar também a sede do Morgadio dos Coimbras que ele instituiria por 1530, por mercê de El Rei D. João III.
 
2ª. A segunda intenção será em sufrágio das almas de todos os Administradores que lhe sucederam e me antecederam, relevando meu Avô D. António de Lencastre e meu Pai D. Miguel de Lencastre.
 
3ª. O terceiro sufrágio será pelas almas da minha prima Nininha Sousa Cardoso e do meu primo Carlos Pouzada, falecidos este último ano e que participaram em muitas destas nossas reuniões, sendo que este dia 8 de Dezembro era também o dia de aniversário do casamento do primo Carlos com a nossa Prima Guida. Pedimos também pela alma da mãe do Sr. Padre António Pamplona, Sra. D. Maria Leonor de Lancastre de Castro e Lemos Rangel, também ela caída este último ano.
 
4ª. Como quarta intenção, pedimos para que o Reverendíssimo Cónego António Macedo, nosso Capelão de longa data, que se encontra em convalescença prolongada, brevemente se restabeleça, e que, igualmente, se encontre melhor, a nossa amiga Elisa Cunha e Silva, que tantas vezes participou nestas celebrações anuais.
 
5ª. Como o valor da Missa é infinito, vamos pedir-lhe também sufrágio pelas muitas almas dos já falecidos que aqui vieram nestes últimos 48 anos, em que se tem promovido consecutivamente estas reuniões anuais.
 
6ª.  Do mesmo valor infinito da Missa esperamos que alguma graça ou réstia de virtude nos caiba, a nós, os vários que tão devotamente a ela assistimos e presenciamos, dando graças pelos cinco séculos de história e memória viva que esta Capela guarda em si e das quais também fazemos parte.”
 

 
Após a Missa, seguiu-se o tradicional brinde com vinho fino do Douro, tomado na Sala do Capítulo da Torre dos Coimbras, durante o qual D. Rodrigo Lencastre proferiu palavras de boas-vindas a todos os convidados, baseadas nas seguintes notas previamente preparadas:
 
Elevo um primeiro agradecimento a Deus e a Nossa Senhora da Conceição que hoje celebramos em data festiva, pelo privilégio de podermos estar reunidos desde há 48 anos para cá. Esta Acção de Graças, fazemo-la este ano de forma especial, pois celebramos os quinhentos anos da construção da nossa Capela dos Coimbras, erigida em 1525, por mão do nosso virtuoso antepassado, D. João de Coimbra, sob o reinado de D. João III.
 
 
Respeitando ainda a tradição destas minhas habituais alocuções, proferidas nesta Torre, da mesma forma que o meu Avô e meu Pai o faziam, felicito de forma especial os debutantes nestas nossas andanças de 8 de Dezembro: o nosso Padre António Pamplona, a minha tia por afinidade, Maria Clara Resende dos Santos, a nossa amiga Maria Vasconcelos e os casais amigos Marta Neto e Luís Pina Rebelo, com as sua filhas Maria Benedita e Maria Madalena; Michele Azeredo e João Moreira Pinto, com os seus filhos João, Manuel e António; e Mafalda Jácome de Vasconcelos Folhadela Moreira e Germano de Castro Pinheiro, com as suas filhas Mafalda e Matilde; todos eles amigos de longa-data. Desejamos que continuem a marcar presença nestas reuniões por muitos anos vindouros. Bem-vindos ao Clã!
 
Este ano, como não poderia deixar de o fazer, dedico estas palavras, em jeito de brinde, à celebração dos cinco séculos de existência da nossa Casa e Capela dos Coimbras, pilares emblemáticos que sustentam a construção dos nossos laços: os da Família e suas raízes que nos definem, os da Amizade que nos engrandecem a alma, os do amor a Portugal que nos enobrece o carácter e os da firme Esperança pela nossa Fé em Deus. Imbuídos neste espírito, façamos honra a quem devido.
  

Fazemos honra a D. João de Coimbra, “Doutor em Degredos, que veio para Braga em 1505, no tempo do Cardeal D. Jorge da Costa. Entre vários cargos que assumiu em vida, foi Provisor e Vigário-Geral da Arquidiocese de Braga, (funções confirmadas em Setembro de 1505, pelo Arcebispo D. Diogo de Sousa, figura histórica e ímpar da cidade de Braga). Foi também abade da freguesia de S. João do Souto (onde hoje nos encontramos), de S. João de Nogueira, de S. Miguel de Soutelo, de Santa Maria de Oriz, e de S. Cibrão de Vilar de Ossos.
A avaliar pela quantidade de cargos eclesiásticos, não admira que as casas que o Dr. João De Coimbra mandou edificar viessem a reflectir toda a sua importância social e económica.
 
São também de considerar as influências humanísticas e renascentistas exercidas pelo Cardeal D. Jorge da Costa e pelo grande Arcebispo D. Diogo de Sousa, a quem esteve muito ligado, e que devem ter contribuído para moldar a sua sensibilidade e gosto artísticos.
Por outro lado, teve o Dr. João de Coimbra a oportunidade de aproveitar a estadia em Braga dos artistas Biscainhos, chamados por D. Diogo de Sousa "para a majestosa fábrica da capela-mor da sua Catedral", aos quais encarregou de construírem a sua residência – a Casa dos Coimbras. Iniciado em 1505, o edifício encontra-se concluído no ano de 1512.
 
Treze anos após a realização destas obras, D. João de Coimbra manda construir, para sepultura, a Capela de Nossa Senhora da Conceição, na Igreja de S. João do Souto, situada também dentro dos muros da cidade, em frente à torre-capela da sua residência, ou seja, no lado norte da Rua de S. João. A Capela foi edificada em 1525, (conforme a inscrição nela gravada), pelos mesmos artistas que haviam construído a Casa dos Coimbras e a sua beleza arquitetónica motivou a publicação de diversos estudos histórico-artísticos até aos dias de hoje.
 
Posteriormente, a 16 de Fevereiro de 1530, o Dr. João de Coimbra institui, com licença d'El Rei D. João III, (provisão de Março de 1527 e breve do papa Clemente III), um vínculo na sua Capela, com obrigação de Missa quotidiana de 24 reis e 2 quartos de ceitis e mais uma missa todas as Sextas-feiras, e ainda com obrigação de, sendo a Capela visitada pelo Prelado, o Administrador lhe doar 1.200 reis (a respetiva manutenção deste vínculo era portanto bastante cara). Constituíam este vínculo muitos e importantes bens, sendo de assinalar, entre outros, a Quinta de Oriz com a sua Torre, (que é hoje propriedade de meu Primo Paulo de Lencastre, aqui presente).
 
À sua descendência até finais do Século XIX, se devem também alguns acrescentamentos e melhoramentos na Casa da Rua de S. João.”
  

Fazemos honra a meu Bisavô D. José Maria de Queiroz de Lencastre, “(4º Neto de D. Serafina de Coimbra que, por sua vez, era 5ª Neta de D. João de Coimbra e casada com João de Queiroz Botelho). Por princípios do século passado, em 1903, a Câmara de Braga, demonstrando uma total ignorância pela beleza deste solar, e tendo em vista a abertura da Rua D. Afonso Henriques e do Largo S. João do Souto, expropriou o terreno, deixando ao seu proprietário, D. José de Lencastre todo o material do edifício.
 
A demolição que então se seguiu parecia significar o fim da Casa dos Coimbras. No entanto, consciente da sua responsabilidade como representante da histórica família dos Coimbras, o Senhor D. José de Lencastre não esmoreceu de ânimo. E assim, embora pudesse ter levado as pedras e demais ornamentos para outras casas e quintas de que era proprietário, resolveu em vez disso guardá-Ias em Braga, (primeiramente no Palácio das Carvalheiras e posteriormente noutro local), procurando adquirir um terreno que se situasse junto da Capela e do antigo Solar, o que veio a conseguir alguns anos mais tarde.
 
Assim, em 1924, é concluída a reconstrução da actual Casa dos Coimbras, inspirada no antigo edifício, e segundo o projecto do notável arquitecto bracarense José da Costa Vilaça. Esta feliz intervenção impediu que a cidade de Braga viesse a perder um dos seus edifícios de maior beleza arquitectónica.
 
Os actuais proprietários dos dois edifícios, continuam a dar cumprimento às determinações do Fundador da Capela e, a exemplo dos seus antepassados, nela mandam celebrar, todos os anos uma Missa, no dia 8 de Dezembro, dia da Imaculada Conceição”.
Este brevíssimo compêndio da Casa e Capela dos Coimbras, encarnado nestes dois nossos antepassados de superior importância, foi retirado de um estudo realizado em 1995, por Maria da Assunção Jácome de Vasconcelos, também ela nossa Prima.
 
 
Finalmente, fazemos também honra aos nossos antepassados que já nos deixaram e, de forma a agregar os Avós e Pais de todos os que aqui estão presentes, permitam-me evocar o meu Avô D. António de Lencastre e meu Pai D. Miguel de Lencastre, que zelosamente cumpriram em vida a sua função de Administradores deste nosso Morgadio dos Coimbras (também ele, símbolo de um Morgadio maior, o de todas as famílias aqui presentes), deixando-nos hoje, nestas pedras que nos rodeiam, em mim e em todos nós que somos deles, ou vivemos com eles, a graça de nos continuarmos em família, sempre unidos, sempre unos e inteiros, uns com os outros.
 


Queridos Familiares e Amigos, quinhentos anos não são apenas uma medida no tempo; são também uma história viva de gerações que por aqui passaram, cimentadas nestas pedras-vivas que ainda resistem ao tempo, o berço simbólico das nossas linhagens de sangue e de amizade, a nossa história partilhada com os nossos antepassados, que nos legaram não apenas um edifício, mas um legado espiritual de valores e princípios perenes e inextinguíveis – o que fomos, o que somos e o que almejamos ser.
 
O valor da Família, o fio condutor que nos une através dos séculos. Hoje, celebramos a força do sangue, numa união que transcende o tempo. O nosso primeiro chão, um solo sagrado que nos liga a uma história maior, aos que vieram antes de nós e aos que nos seguirão mais à frente.
 
 O valor da Amizade, aquela, a verdadeira, que nos sustém e nos ampara em todos os momentos da vida. De certa forma, podemos afirmar que ela transcende até mesmo os laços de sangue, pois define-se como uma irmandade escolhida e não imposta, que nos exige cultivo, pois não nos é inata.
 
O valor da Pátria – a nossa portugalidade, não aquela assentada num mero nacionalismo cego e vazio, mas antes a que se fundeia num compromisso profundo com a terra, a história, a cultura e os valores que herdámos, que partilhamos e que hoje celebramos, garantindo que este legado lusitano se continue e prospere nas gerações vindouras.
 
O valor da nossa Fé – mais que um valor, uma mundividência em nós e de toda a Criação, a fé em Deus concede-nos o prumo moral e a esperança inabalável nas nossas vidas. Dá sentido à nossa existência. Impele-nos a viver todos os dias como se fosse o último e a trabalhar como se fossemos eternos. A Fé eleva-nos à condição divina de sermos também “cocriadores” deste mundo. “Porque a vida não se resolve apenas com aquilo que trazemos ou conseguimos, mas sim no diálogo misterioso entre a nossa escala e a escala mais ampla que a própria vida é; … na interação entre o aqui e o agora e o que é da ordem do eterno”.
 
 
Queridos Amigos, há mais de quinhentos anos iniciou-se a edificação deste valoroso património espiritual, com a elevação dos muros desta Capela e sua Casa. Cumpre-nos a nós, hoje, continuar esta preciosa construção contínua e vivente, assumindo-nos como testemunhas diligentes dos valores dos Coimbras: viver com honra e integridade, servir com humildade e defender a Verdade e o Bem, com coragem e animados pela nossa Fé. Possamos nós, hoje aqui presentes, renovar o nosso compromisso com estes ideais. Que a nossa união seja a nossa maior força, e o legado dos nossos antepassados, a nossa inspiração eterna.
 
 
Por Nossa Senhora da Conceição da Guia, pelos Coimbras e pelos nossos – os de ontem, os de hoje e os de sempre:
 
PORTUGAL! PORTUGAL! PORTUGAL! VIVA!
 
 

Seguiu-se um almoço-convívio no restaurante “Palatu”, no centro histórico da cidade de Braga, no final do qual, cumprindo a tradição, Maria Isabel de Lencastre, irmã do actual Administrador leu para todos a Acta, relativa à reunião familiar do ano de 2024.
 

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