Capela e Casa dos Coimbras – Reunião Familiar
Missa pelas 12:00
horas na Capela da Nossa Senhora da Conceição da Guia, celebrada pelo Senhor
Padre António Pamplona, da Companhia de Jesus, com homilia em honra de Nossa
Senhora da Conceição, Padroeira de Portugal.
Antes da
Missa, o 14º Administrador da Capela e Casa dos Coimbras, D. Rodrigo de Coimbra
de Queiroz Vasconcelos e Lencastre, proferiu as seguintes intenções da Missa:
“1ª. A primeira intenção da Missa será para satisfazer
as determinações testamentárias do Dr. João de Coimbra, a quem se deve a
construção desta Capela em 1525, há exatamente 500 anos, tendo-a escolhida para
seu sarcófago, na qual se encontra sepultado, e onde viria a assentar também a
sede do Morgadio dos Coimbras que ele instituiria por 1530, por mercê de El Rei
D. João III.
2ª. A segunda intenção será em sufrágio das almas de
todos os Administradores que lhe sucederam e me antecederam, relevando meu Avô
D. António de Lencastre e meu Pai D. Miguel de Lencastre.
3ª. O terceiro sufrágio será pelas almas da minha
prima Nininha Sousa Cardoso e do meu primo Carlos Pouzada, falecidos este
último ano e que participaram em muitas destas nossas reuniões, sendo que este
dia 8 de Dezembro era também o dia de aniversário do casamento do primo Carlos com
a nossa Prima Guida. Pedimos também pela alma da mãe do
Sr. Padre António Pamplona, Sra. D. Maria Leonor de Lancastre de Castro e Lemos
Rangel, também ela caída este último ano.
4ª. Como quarta intenção,
pedimos para que o Reverendíssimo Cónego António Macedo, nosso Capelão de longa data, que se encontra em
convalescença prolongada, brevemente se restabeleça, e que, igualmente, se
encontre melhor, a nossa amiga Elisa Cunha e Silva, que tantas vezes participou
nestas celebrações anuais.
5ª. Como o valor da Missa é infinito, vamos
pedir-lhe também sufrágio pelas muitas almas dos já falecidos que aqui vieram
nestes últimos 48 anos, em que se tem promovido consecutivamente estas reuniões
anuais.
6ª. Do mesmo valor infinito da Missa esperamos
que alguma graça ou réstia de virtude nos caiba, a nós, os vários que tão
devotamente a ela assistimos e presenciamos, dando graças pelos cinco séculos
de história e memória viva que esta Capela guarda em si e das quais também
fazemos parte.”
Após a Missa,
seguiu-se o tradicional brinde com vinho fino do Douro, tomado na Sala do
Capítulo da Torre dos Coimbras, durante o qual D. Rodrigo Lencastre proferiu
palavras de boas-vindas a todos os convidados, baseadas nas seguintes notas
previamente preparadas:
Elevo um primeiro agradecimento a Deus e a Nossa
Senhora da Conceição que hoje celebramos em data festiva, pelo privilégio de
podermos estar reunidos desde há 48 anos para cá. Esta Acção de Graças,
fazemo-la este ano de forma especial, pois celebramos os quinhentos anos da
construção da nossa Capela dos Coimbras, erigida em 1525, por mão do nosso
virtuoso antepassado, D. João de Coimbra, sob o reinado de D. João III.
Respeitando ainda a tradição destas minhas habituais
alocuções, proferidas nesta Torre, da mesma forma que o meu Avô e meu Pai o
faziam, felicito de forma especial os debutantes nestas nossas andanças de 8 de
Dezembro: o nosso Padre António Pamplona, a minha tia por afinidade, Maria
Clara Resende dos Santos, a nossa amiga Maria Vasconcelos e os casais amigos
Marta Neto e Luís Pina Rebelo, com as sua filhas Maria Benedita e Maria
Madalena; Michele Azeredo e João Moreira Pinto, com os seus filhos João, Manuel
e António; e Mafalda Jácome de Vasconcelos Folhadela Moreira e Germano de
Castro Pinheiro, com as suas filhas Mafalda e Matilde; todos eles amigos de
longa-data. Desejamos que continuem a marcar presença nestas reuniões por
muitos anos vindouros. Bem-vindos ao Clã!
Este ano, como não poderia deixar de o fazer, dedico
estas palavras, em jeito de brinde, à celebração dos cinco séculos de
existência da nossa Casa e Capela dos Coimbras, pilares emblemáticos que
sustentam a construção dos nossos laços: os da Família e suas raízes que nos
definem, os da Amizade que nos engrandecem a alma, os do amor a Portugal que
nos enobrece o carácter e os da firme Esperança pela nossa Fé em Deus. Imbuídos
neste espírito, façamos honra a quem devido.
Fazemos honra a D. João de Coimbra, “Doutor em
Degredos, que veio para Braga em 1505, no tempo do Cardeal D. Jorge da Costa.
Entre vários cargos que assumiu em vida, foi Provisor e Vigário-Geral da
Arquidiocese de Braga, (funções confirmadas em Setembro de 1505, pelo Arcebispo
D. Diogo de Sousa, figura histórica e ímpar da cidade de Braga). Foi também
abade da freguesia de S. João do Souto (onde hoje nos encontramos), de S. João
de Nogueira, de S. Miguel de Soutelo, de Santa Maria de Oriz, e de S. Cibrão de
Vilar de Ossos.
A avaliar pela quantidade de cargos eclesiásticos, não
admira que as casas que o Dr. João De Coimbra mandou edificar viessem a
reflectir toda a sua importância social e económica.
São também de considerar as influências humanísticas e
renascentistas exercidas pelo Cardeal D. Jorge da Costa e pelo grande Arcebispo
D. Diogo de Sousa, a quem esteve muito ligado, e que devem ter contribuído para
moldar a sua sensibilidade e gosto artísticos.
Por outro lado, teve o Dr. João de Coimbra a
oportunidade de aproveitar a estadia em Braga dos artistas Biscainhos, chamados
por D. Diogo de Sousa "para a majestosa fábrica da capela-mor da sua
Catedral", aos quais encarregou de construírem a sua residência – a Casa
dos Coimbras. Iniciado em 1505, o edifício encontra-se concluído no ano de
1512.
Treze anos após a realização destas obras, D. João de
Coimbra manda construir, para sepultura, a Capela de Nossa Senhora da
Conceição, na Igreja de S. João do Souto, situada também dentro dos muros da
cidade, em frente à torre-capela da sua residência, ou seja, no lado norte da
Rua de S. João. A Capela foi edificada em 1525, (conforme a inscrição nela
gravada), pelos mesmos artistas que haviam construído a Casa dos Coimbras e a
sua beleza arquitetónica motivou a publicação de diversos estudos histórico-artísticos
até aos dias de hoje.
Posteriormente, a 16 de Fevereiro de 1530, o Dr. João
de Coimbra institui, com licença d'El Rei D. João III, (provisão de Março de
1527 e breve do papa Clemente III), um vínculo na sua Capela, com obrigação de
Missa quotidiana de 24 reis e 2 quartos de ceitis e mais uma missa todas as
Sextas-feiras, e ainda com obrigação de, sendo a Capela visitada pelo Prelado,
o Administrador lhe doar 1.200 reis (a respetiva manutenção deste vínculo era
portanto bastante cara). Constituíam este vínculo muitos e importantes bens,
sendo de assinalar, entre outros, a Quinta de Oriz com a sua Torre, (que é hoje
propriedade de meu Primo Paulo de Lencastre, aqui presente).
À sua descendência até finais do Século XIX, se devem
também alguns acrescentamentos e melhoramentos na Casa da Rua de S. João.”
Fazemos honra a meu Bisavô D. José Maria de Queiroz de
Lencastre, “(4º Neto de D. Serafina de Coimbra que, por sua vez, era 5ª Neta
de D. João de Coimbra e casada com João de Queiroz Botelho). Por princípios do
século passado, em 1903, a Câmara de Braga, demonstrando uma total ignorância
pela beleza deste solar, e tendo em vista a abertura da Rua D. Afonso Henriques
e do Largo S. João do Souto, expropriou o terreno, deixando ao seu
proprietário, D. José de Lencastre todo o material do edifício.
A demolição que então se seguiu parecia significar o
fim da Casa dos Coimbras. No entanto, consciente da sua responsabilidade como
representante da histórica família dos Coimbras, o Senhor D. José de Lencastre
não esmoreceu de ânimo. E assim, embora pudesse ter levado as pedras e demais
ornamentos para outras casas e quintas de que era proprietário, resolveu em vez
disso guardá-Ias em Braga, (primeiramente no Palácio das Carvalheiras e
posteriormente noutro local), procurando adquirir um terreno que se situasse
junto da Capela e do antigo Solar, o que veio a conseguir alguns anos mais
tarde.
Assim, em 1924, é concluída a reconstrução da actual
Casa dos Coimbras, inspirada no antigo edifício, e segundo o projecto do
notável arquitecto bracarense José da Costa Vilaça. Esta feliz intervenção
impediu que a cidade de Braga viesse a perder um dos seus edifícios de maior
beleza arquitectónica.
Os actuais proprietários dos dois edifícios, continuam
a dar cumprimento às determinações do Fundador da Capela e, a exemplo dos seus
antepassados, nela mandam celebrar, todos os anos uma Missa, no dia 8 de
Dezembro, dia da Imaculada Conceição”.
Este brevíssimo compêndio da Casa e Capela dos
Coimbras, encarnado nestes dois nossos antepassados de superior importância,
foi retirado de um estudo realizado em 1995, por Maria da Assunção Jácome de
Vasconcelos, também ela nossa Prima.
Finalmente, fazemos também honra aos nossos
antepassados que já nos deixaram e, de forma a agregar os Avós e Pais de todos
os que aqui estão presentes, permitam-me evocar o meu Avô D. António de
Lencastre e meu Pai D. Miguel de Lencastre, que zelosamente cumpriram em vida a
sua função de Administradores deste nosso Morgadio dos Coimbras (também ele,
símbolo de um Morgadio maior, o de todas as famílias aqui presentes),
deixando-nos hoje, nestas pedras que nos rodeiam, em mim e em todos nós que
somos deles, ou vivemos com eles, a graça de nos continuarmos em família,
sempre unidos, sempre unos e inteiros, uns com os outros.
Queridos Familiares e Amigos, quinhentos anos não são
apenas uma medida no tempo; são também uma história viva de gerações que por
aqui passaram, cimentadas nestas pedras-vivas que ainda resistem ao tempo, o
berço simbólico das nossas linhagens de sangue e de amizade, a nossa história
partilhada com os nossos antepassados, que nos legaram não apenas um edifício,
mas um legado espiritual de valores e princípios perenes e inextinguíveis – o
que fomos, o que somos e o que almejamos ser.
O valor da Família, o fio condutor que nos une através
dos séculos. Hoje, celebramos a força do sangue, numa união que transcende o
tempo. O nosso primeiro chão, um solo sagrado que nos liga a uma história
maior, aos que vieram antes de nós e aos que nos seguirão mais à frente.
O valor da
Amizade, aquela, a verdadeira, que nos sustém e nos ampara em todos os
momentos da vida. De certa forma, podemos afirmar que ela transcende até mesmo
os laços de sangue, pois define-se como uma irmandade escolhida e não imposta,
que nos exige cultivo, pois não nos é inata.
O valor da Pátria – a nossa portugalidade, não aquela
assentada num mero nacionalismo cego e vazio, mas antes a que se fundeia num
compromisso profundo com a terra, a história, a cultura e os valores que
herdámos, que partilhamos e que hoje celebramos, garantindo que este legado
lusitano se continue e prospere nas gerações vindouras.
O valor da nossa Fé – mais que um valor, uma
mundividência em nós e de toda a Criação, a fé em Deus concede-nos o prumo
moral e a esperança inabalável nas nossas vidas. Dá sentido à nossa existência.
Impele-nos a viver todos os dias como se fosse o último e a trabalhar como se
fossemos eternos. A Fé eleva-nos à condição divina de sermos também
“cocriadores” deste mundo. “Porque a vida não se resolve apenas com aquilo
que trazemos ou conseguimos, mas sim no diálogo misterioso entre a nossa escala
e a escala mais ampla que a própria vida é; … na interação entre o aqui e o
agora e o que é da ordem do eterno”.
Queridos Amigos, há mais de quinhentos anos iniciou-se
a edificação deste valoroso património espiritual, com a elevação dos muros
desta Capela e sua Casa. Cumpre-nos a nós, hoje, continuar esta preciosa
construção contínua e vivente, assumindo-nos como testemunhas diligentes dos
valores dos Coimbras: viver com honra e integridade, servir com humildade e
defender a Verdade e o Bem, com coragem e animados pela nossa Fé. Possamos nós,
hoje aqui presentes, renovar o nosso compromisso com estes ideais. Que a nossa
união seja a nossa maior força, e o legado dos nossos antepassados, a nossa
inspiração eterna.
Por Nossa Senhora da Conceição da Guia, pelos Coimbras
e pelos nossos – os de ontem, os de hoje e os de sempre:
PORTUGAL! PORTUGAL!
PORTUGAL! VIVA!
Seguiu-se um
almoço-convívio no restaurante “Palatu”, no centro histórico da cidade de Braga,
no final do qual, cumprindo a tradição, Maria Isabel de Lencastre, irmã do actual Administrador leu para todos a
Acta, relativa à reunião familiar do ano de 2024.
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