"Os Valores são os princípios indiscutiveis, que deverão servir de âncoras e alicerces à construção do que denominamos Ética de Vida.
Nós acreditamos nos Valores que, ao longo dos Séculos, têm dado provas de muito terem contribuido para dar sentido, significado e dignidade à existência humana.
Assim sendo, o Pai que somos, tem por imperativo moral de transmitir, da melhor forma que sabe, esses princípios aos seus descendentes."

Miguel Lencastre em "De um Pai para os Pais do Presente e do Futuro" - 2010

segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

8 de Dezembro de 2020 - Transmissão online

Queridos Familiares e Amigos.

Pelas razões pandémicas que todos nós infelizmente temos vivido nos últimos meses, no próximo dia 8 de Dezembro (amanhã) e pela primeira vez em 43 anos não será possível reunirmo-nos na nossa Capela dos Coimbras, em Braga, para cumprir com a longa tradição familiar de celebrar a Missa da Nossa Senhora da Conceição e cumprir assim com as disposições testamentárias do nosso ilustre antepassado, o Dr. João de Coimbra. Ainda assim, não deixaremos de cumprir as nossas obrigações enquanto herdeiros deste património espiritual e de pedras vivas.

Nesse sentido, iremos rezar simbolicamente a Missa na nossa Capela, amanhã dia 8 de Dezembro, pelas 11:00 da manhã, celebrada pelo Sr. Cónego António Macedo, transmitindo a celebração por internet, via TEAMS.

Todos poderão assistir à Missa online, acedendo ao seguinte atalho (weblink):

Clique aqui para participar na reunião (microsoft.com)

Desta forma, ainda que fisicamente distantes, poderemos espiritualmente partilhar uma vez mais a nossa Fé e devoção e fazer a nossa Acção de Graças a Nossa Senhora da Conceição, pedindo pela nossa Família, pelos nossos Amigos e por Portugal, nesta altura de forte atribulação.

Portugal, Portugal, Portugal: VIVA!



terça-feira, 10 de dezembro de 2019

8 de Dezembro de 2019

Casa dos Coimbras – Reunião Familiar


Missa pelas 11:00 horas na Capela da Nossa Senhora da Conceição da Guia, celebrada pelo Reverendíssimo Cónego António Macedo, com homilia em honra de Nossa Senhora da Conceição, Padroeira de Portugal.

Antes da Missa, o 14º Administrador da Capela e Casa dos Coimbras, D. Rodrigo de Coimbra de Queiroz Vasconcelos e Lencastre, proferiu as seguintes intenções da Missa:

“1ª. O primeiro sufrágio será pela alma do Dr. João de Coimbra, Provedor do Arcebispado de Braga, instituidor do Morgadio dos Coimbras e fundador desta Capela, cabeça desse Morgadio, que ele escolheu também para sua sepultura e onde se encontra jazido.

2ª. O segundo sufrágio e o mais sentido este ano será pela alma do nosso saudoso amigo Sr. Manuel Macedo, falecido a 26 de Janeiro deste ano. Procurador desta Capela, já desde o tempo de vida de meu Bisavô D. José de Lencastre, o seu exemplo de abnegação e dedicação para com a nossa Família e esta Capela deverão ser sempre recordados por nós. Da mesma forma, as outras causas que abraçou e viveu ao longo da sua vida – o Evangelho, a Caridade, o Escutismo e a Família, são testemunho e prova do carácter admirável e completo de um homem de humildade rara para com uma alma tão cheia. Pedimos assim a Deus e a Nossa Senhora da Conceição o tenham já em Sua companhia. 

3ª. O terceiro sufrágio será pela alma do estimado Eng. Calhau Roberto, falecido no passado dia 3 de Outubro. A sua profunda amizade, vivida e partilhada em vida ao longo de largas décadas com meu Avô, D. António de Lencastre, 13 º Administrador do Morgadio dos Coimbras, é também hoje recordada e celebrada nesta cerimónia.

4ª. Como quarta intenção, rezaremos por todos os que já partiram da nossa Família, recordando o meu Avô, D. António de Lencastre e o meu Pai, D. Miguel de Lencastre, representantes de duas gerações familiares diferentes, refletindo-se neles todos os nossos Avós, Pais, Esposos, Tios, Irmãos e Primos que já partiram. Que Maria, Nossa Senhora, reforce a nossa Fé, pois é Ela que nos faz acreditar que todos os nossos queridos estão hoje aqui em espírito a celebrar connosco este dia tão especial – um dia de Fé, de Família e de Amizade.

5ª. De igual forma, colocamos como quinta intenção o sufrágio pela alma de todos familiares e amigos que, acorrendo a esta cerimónia anual nos últimos 42 anos, foram partindo para junto do Pai.

6ª. Por último e como o valor da Missa é infinito, esperamos que alguma graça ou réstia de virtude nos caiba, a nós, os vários que tão devotamente a ela assistimos e presenciamos.

Terminadas as intenções formais, peço a todos os presentes que rezem também pela nossa venturosa Tia Guidinha, a última da sua brilhante geração – os filhos de D. Maria Haydée e D. José de Lencastre; para que Nossa Senhora a proteja e guie em saúde e ânimo por Terras de Vera Cruz. Possa a nossa oração chegar mais longe do que o oceano que nos separa desta nossa tão querida Tia-Matriarca.“


Após a Missa, seguiu-se o tradicional brinde com vinho fino do Douro, tomado na Sala do Capítulo da Torre dos Coimbras, durante o qual D. Rodrigo Lencastre proferiu palavras de boas-vindas a todos os convidados, baseadas nas seguintes notas previamente preparadas:

1.    Em primeiro lugar e como nunca poderei deixar de priorizar, quero agradecer a nosso Deus Pai e a Nossa Senhora da Conceição por nos concederem esta bem-aventurança de termos família e amigos de tão elevada virtude, reunindo-nos todos neste dia, desde há 42 anos para cá, precisamente para celebrar esta fortuna. Somos, de facto, abençoados por tal.
2.  Seguidamente, já meu Avô o fazia com exemplar praxis, quero agradecer a todos os aqui presentes, relevando sempre os que pela primeira vez acorrem a este ritual anual. O ano passado tivemos bastantes estreantes da minha geração, primos-bisnetos de D. Maria Haydée e D. José de Lencastre. Este ano, também com novo sangue multigeracional, temos como debutantes os meus Primos Maria Teresa, Miguel e sua filha Margarida Sousa-Cardoso; também meus primos a Carminho Lencastre de Menezes e Cruz, o Diogo Lencastre Torres Pereira da Cunha, o Manuel Gonçalves Henriques; ainda os amigos Isabel Abreu Lima e o António Marramaque e finalmente o meu sobrinho, com apenas um ano de vida, Arnaldo Maria de Vasconcelos e Lencastre Pimentel Barbosa. Sejam todos bem-vindos a estas reuniões e possam todos vós, a partir de hoje, ser presenças assíduas nos próximos 8 de Dezembro aqui em Braga.
3.     Para todos os estreantes e também para as gerações mais novas aqui presente, quero hoje falar-vos um pouco mais da história das pedras que nos rodeiam e da sua forte ligação à nossa família. Na verdade, para o fazer, não precisei de recorrer a um estudo intensivo de livros da história, heráldica e genologia. Uma das bênçãos que Deus me concedeu, foi o de poder viver com um Avô até aos seus 104 anos. O legado escrito que ele deixou é devera muito vasto. Bastou-me, portanto, fazer um breve apanhado das intervenções de meu Avô nestas reuniões anuais, para conseguir consubstanciar um breve resumo sobre o que nos faz estar aqui todos os anos. Passo então a ler-vos alguns excertos dessas intervenções – ler notas históricas.

Possamos nós manter as forças de espírito para continuar a cumprir este legado com quase 500 anos de história. Façamo-lo com dignidade e orgulho. Recordemos os que já cá não estão connosco, mas que nos protegem lá de cima. Tenhamos coragem de lhes seguir o exemplo de Fé e Portugalidade, para sermos também nós exemplo para os mais novos.
Na verdade, se já cumprimos com este legado nesta Capela, maior obrigação temos então de cumprir com o legado maior que é Portugal – um legado que se está a perder, pois, se não o fizermos, queridos familiares e amigos, o nosso grito tradicional de regozijo e também de revolta, deixa de ter sentido:

PORTUGAL! PORTUGAL! PORTUGAL! VIVA!


Seguiu-se um almoço-convívio no restaurante “Insólito” (253 206 420), em Braga, no final do qual, cumprindo a tradição, D. Gaspar de Lencastre leu para todos a Acta, relativa à reunião familiar do ano de 2018, seguido da indicação dos nomes de todos os presentes no almoço-convívio por essa ocasião, esta última realizada por Maria Joana Lencastre Torres Vieira Pouzada.

Notas Históricas

Estas notas foram baseadas em diversos escritos de meu Avô, D. António de Lencastre, 13º. Administrador do Morgadio dos Coimbras. Será possível obter mais informações e com maior pormenor, recorrendo-se à diversa literatura existente sobre o tema.

Capela dos Coimbras

Em princípios de 1500, o Dr. João de Coimbra, à época o Provedor do Arcebispado de Braga, instituidor do Morgadio dos Coimbras, mandou construir a Capela de Nossa Senhora da Conceição da Guia, mais tarde conhecida como Capela dos Coimbras, entregando a sua construção a um dos célebres irmãos Castilhos, enquanto a sua decoração interior a João de Ruão e a estatuária exterior a Hodart, tendo estes artistas vindo na altura das obras na Sé de Braga, na altura culminada com o maravilhoso recanto da Senhora do Leite – isto nos ensinou o sábio Professor Doutor Nogueira Gonçalves, finado docente da Universidade de Coimbra (…)


Nesta Capela, que o Dr. João de Coimbra escolheu para seu sarcófago e na qual se encontra sepultado, viria a assentar também a sede do Morgadio dos Coimbras que ele instituiria por 1530, por mercê de El Rei D. João III (…)


A tampa da sepultura, no chão da Capela, é de formato retangular de avultadas dimensões e, se é permitido estabelecer analogia com o sepultado, terá sido de desenvolta estatura o Dr. João de Coimbra. O brasão de armas, esculpido no tampo tumular de granito, está bastante puído, do muito correr de fiéis durante estes últimos quinhentos anos (…)

O orago desta capela é Nossa Senhora da Conceição da Guia, assim denominada pelo eminente arqueólogo Padre Manuel de Aguiar Barreiros.

A sua estátua, de beleza incomparável, que centraliza o retábulo do Altar, bem como as duas que a ladeiam, de Santa Ana e São Joaquim, são do notável João de Ruão.

As figuras do Túmulo de Cristo já não lhe são atribuídas, mas saídas da sua oficina, por ele mesmo dirigida. Meu Avô admitia, contra a opinião do falecido professor da Universidade de Coimbra Padre Doutor Nogueira Gonçalves, em carta por ele escrita e assinada, que no grupo haja duas figuras, uma feminina e outra masculina, que poderão ser da sua autoria. O Padre Nogueira Gonçalves diz ainda que as estátuas exteriores são de Hodart e que a construção da Capela terá sido obra de um dos irmãos Castilho (…)

Ruão e Hodart faziam parte do grupo de biscainhos contratados por D. Diogo de Souza, que fizeram as obras na Sé e que o Dr. João de Coimbra aproveitou para erguer a esta Capela. Nas traseiras da Sé, lá figura aquela magnífica estátua da Senhora do Leite, de João de Ruão (…)



Dr. João de Coimbra, o nosso valoroso antepassado

João de Coimbra, doutor em degredos, foi Provisor e Vigário Geral do Arcebispado de Braga, deverá ter vindo de Lisboa, fins de mil e quatrocentos, princípios de quinhentos, a ocupar o lugar de Provisor do Arcebispado quando este pertencia ao Cardeal Alpedrinha, D. Jorge da Costa, ou ao seu irmão homónimo, residindo o primeiro no Vaticano, em Roma, sem nunca ter vindo a Braga (…)

Em 1505, vem ocupar o Sólio de Primás das Espanhas o Senhor D. Diogo de Souza e Vasconcelos, que até aí tinha sido Bispo do Porto. De todos os Arcebispos de Braga é este o que mais se singulariza na urbanização e arquitectura da Cidade. Manteve como seu Provisor o Dr. João de Coimbra. (…)

Segundo o heraldista, José Machado, o Dr. João de Coimbra terá tido três filhos: Cristovão, Amador e V. Manuel.

Cristovão, o mais velho e Administrador do Morgado, perfilhado em testamento, meu 12º Avô, por sua 4ª neta, Dona Serafina ser filha e herdeira única e ter casado com João de Queiroz Botelho de Vasconcelos, meu 7º Avô por varonia, vindo assim a ser minha 7ª Avó (…)



Por último, entre outras disposições testamentárias, o Dr. João de Coimbra rogou a todos os seus descendentes das gerações futuras, a celebrar uma vez por ano uma Missa pela sua alma na Capela de Nossa Senhora da Conceição da Guia, por ele construída. Aqui estamos nós, seus descendentes, hoje aqui, a honrar as suas disposições, a seguir com o Morgadio que ele fundou e a transmiti-lo às próximas gerações.

Apenas a Família permite prolongar uma cadeia tão bonita ao longo dos séculos.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

Presentes - Reunião Familiar de 2019

  • D. Rodrigo de Coimbra Queiroz de Vasconcelos e Lencastre
  • Elisa Cunha e Silva
  • Maria Luísa Sousa Cardoso
  • Maria da Graça Sousa Cardoso
  • Maria Isabel de Sousa Vasconcelos e Lencastre
  • Maria Manuela Forbes de Bessa Lencastre
  • Maria Margarida Canedo de Queiroz Vasconcelos e Lencastre
  • Ana Catarina Canedo Lencastre
  • Mariana Canedo de Coimbra Vasconcelos e Lencastre
  • Sílvia Cardoso de Coimbra Vasconcelos Lencastre
  • Arnaldo Maria Vasconcelos Lencastre Pimentel Barbosa
  • Carlos G. Lencastre Torres Vieira Pouzada
  • João Teixeira Borges Torres Pouzada
  • Rita Teixeira Borges Torres Pouzada
  • Maria Alexandra Teixeira Borges Pouzada
  • Maria Margarida Ribeiro Godinho de Resende dos Santos
  • Pedro Jorge Pias Canedo
  • Manuel Lencastre Torres Gonçalves Henriques
  • Isabel Abreu Lima
  • António Maria de Lencastre Torres Pereira da Cunha
  • Diogo de Lencastre Torres Pereira da Cunha
  • Maria do Carmo de Queiroz e Lencastre Menezes e Cruz
  • João de Vasconcelos e Lencastre de Menezes e Cruz
  • D. Gaspar de Coimbra Torres de Queiroz Vasconcelos e Lencastre
  • Maria Francisca Côrte-Real de Noronha Freire de Andrade de Souza-Cardoso
  • Pedro Maria Quelhas Lima de Souza-Cardoso
  • Maria José Freire de Andrade de Souza-Cardoso
  • José Carlos Lencastre Torres Vieira Pouzada
  • Carlos Luís Teixeira Borges Torres Pouzada
  • Maria Joana Lencastre Torres Vieira Pouzada
  • António José Huet de Bacelar Pereira Marramaque
  • Maria Margarida Quelhas Lima de Souza-Cardoso
  • Maria Teresa Pais Quelhas Lima de Souza-Cardoso
  • Miguel de Magalhães Queiroz de Souza-Cardoso
  • Luís da Gama Pimenta de Castro Damásio
  • Maria do Patrocínio Queiroz de Sousa Cardoso
  • Sílvia Lencastre da Silva Torres de Castro Henriques
  • Maria José Lencastre da Silva Torres de Vasconcelos e Lencastre
  • Maria Ema Aguiar Queiroz Botelho de Sousa
  • Nuno de Queiroz e Lencastre Silva Torres
  • Ana Almeida Fernandes

Presentes apenas na Missa:
  • José Luís Canedo

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

8 de Dezembro de 2018

Casa dos Coimbras - Reunião Familiar


Missa pelas 11:30 horas na Capela da Nossa Senhora da Conceição da Guia, celebrada pelo Reverendíssimo Cónego António Macedo, com homilia em honra de Nossa Senhora da Conceição, Padroeira de Portugal.

Antes da Missa, o 14º Administrador da Capela e Casa dos Coimbras, D. Rodrigo de Coimbra de Queiroz Vasconcelos e Lencastre, proferiu as seguintes intenções da Missa:

“1ª. A primeira intenção será pela alma do Dr. João de Coimbra, nosso valoroso antepassado, Provedor do Arcebispado de Braga e instituidor do Morgadio dos Coimbras por inícios de 1500, altura em que mandou construir esta Capela, fundando-a como cabeça desse mesmo Morgadio e escolhendo-a também para seu sarcófago, na qual se encontra sepultado.

2ª. O segundo sufrágio e o mais importante será pela alma de D. Maria da Eucaristia Lencastre Cruz, nossa querida Tia Castia, irmã do 13º. Administrador do Morgadio dos Coimbras, D. António de Lencastre e que morreu no passado dia 9 de Julho, na cidade brasileira de Recife.
Várias vezes presente nestas reuniões anuais, a Tia Castia será sempre lembrada por nós com todo o carinho e admiração pelo seu exemplo de Mulher Cristã, Portuguesa de alma, Mãe incansável e Avó zelosa e doce. A sua serenidade e o seu sorriso deixavam já antever em vida a felicidade e paz eterna que certamente está hoje a partilhar no Céu, junto dos seus Pais, seu Marido e seus Irmãos, já idos. 

3ª. O terceiro sufrágio será ainda pelas almas de D. António de Lencastre e D. Miguel de Lencastre, meu Avô e meu Pai saudosos. Como primogénitos das suas gerações, coube-lhes a responsabilidade em vida de dar seguimento a estas reuniões familiares e honrar o testamento do Dr. João de Coimbra. Com muita saudade os recordamos e pedimos o seu legado continue por muitas gerações do amanhã. 

4ª. Como quarta intenção, gostaria de fazer uma Ação de Graças por D. Margarida Maria Lencastre, nossa Tia Guidinha. Passados estes últimos anos impiedosos com o desaparecimento físico de muitos dos irmãos da geração viva mais antiga da nossa família, os filhos de D. Maria Haydé e D. José de Lencastre, a Tia Guidinha é hoje para nós a Matriarca e a Inspiração das gerações mais jovens para continuarem a honrar o nome da nossa Família, assumindo os valores que foram transmitidos pelos nossos antepassados e passando-os aos nossos descendentes. Pedimos a Deus que a conserve em saúde e com a alegria e força de espírito únicos da nossa Tia tão querida.

5ª. Pelo restabelecimento do nosso leal e dedicado amigo Sr. Manuel Macedo, Procurador desta Capela, já desde o tempo de vida de meu Bisavô D. José de Lencastre e que no presente se encontra em convalescença difícil. Pedimos assim a Deus que recupere rapidamente a sua saúde. 

6ª. Apesar de serem já muitas as intenções de hoje, mas sabendo que o valor da Eucaristia é infinito, pedimos ainda a Deus por todos os aqui presentes nesta Celebração, familiares e amigos, que comungamos e celebramos neste dia o Sangue e a Amizade, sob proteção e com as bênçãos de Nossa Senhora da Conceição da Guia, Padroeira desta Capela.“


Após a Missa, seguiu-se o tradicional brinde com vinho fino do Douro, tomado na Sala do Capítulo da Torre dos Coimbras, durante o qual D. Rodrigo Lencastre proferiu palavras de boas-vindas a todos os convidados, baseadas nas seguintes notas previamente preparadas:

Como é nosso bom costume e dever, as minhas primeiras palavras são dirigidas a Deus e a Nossa Senhora da Conceição (data festiva) pelo privilégio de podermos estar reunidos desde há 41 anos consecutivos para cá nestes dias 8 de Dezembro, este ano rejuvenescido com muitos das gerações mais novas da nossa Família. Por tudo isso fazemos a nossa Acção de Graças.
Como já é também da nossa boa praxe, agradeço também aos presentes: Familiares e Amigos aqui presentes e de uma forma muito especial, os que pela primeira vez acorrem a estas reuniões. Por esta ocasião, são bastantes os estreantes, com vários Primos meus, bisnetos de D. Maria Haydée e D. José de Lencastre, acompanhados dos seus, onde se incluem já alguns trinetos da geração mais nova da Família Lencastre. Sejam todos bem-vindos ao Clã e espero ter-vos sempre por cá, de hoje em diante, nos próximos anos.

Como já referi nas intenções da Missa, os últimos anos têm-nos levado muitos dos nossos Pais, Avós, Tios, Primos e Amigos da geração mais antiga. Para os lembrar e celebrar o seu legado, estamos também hoje aqui, reforçando ainda mais a importância deste dia para nós. Os que ficam prolongam a existência dos que já partiram, mantendo-os vivos nos nossos corações e nos Princípios e Valores que passamos aos nossos filhos e netos.


Num tempo muito difícil e de incertezas como é o do Portugal de hoje, em que nos é imposto uma letargia de ideais e uma apatia nas convicções, torna-se cada vez mais primordial assumir, viver e defender com orgulho esses mesmos Princípios e Valores que bebemos dos nossos Pais e Avós: valores cristãos na Fé, patrióticos na nossa Portugalidade e leais no amor à nossa Família e Amigos e na dignidade do Homem Justo e Bom.
Não tenhamos pois medo das palavras, nem vergonha de falar em Honra e Verdade, porque elas existem e estão em nós. Originalmente estão na alma de todo o ser humano. Todos nascemos com elas em nós, mas nem todos as conseguimos manter íntegras no corpo e na alma. Saibamos nós mantê-las sempre vivas e intactas, sendo exemplo para os mais novos e aspirando ao Homem Novo de São Paulo: Homem em Cristo no Bom Combate por um mundo melhor, mais humano e mais cristão.

Por último, gostaria apenas de partilhar uma última reflexão minha: esta Capela, sua Torre e Casa dos Coimbras são, na verdade, muito mais que muros trabalhados ou que monumentos de valor histórico. Para nós que aqui estamos, elas são as pedras vivas da nossa Família e de todas as gerações que passaram por esta sala do Capítulo. E o que mais não são estas pedras vivas do que este Legado Espiritual que aqui vivemos hoje e que vai passando de Pai para Filho para Neto e assim sucessivamente, abraçando os nossos amigos mais próximos que connosco vivem e partilham este espírito, não só em união, mas também em unidade connosco? A vida destas pedras somos nós e a argamassa que nos sustém são os laços de sangue e de amizade resiliente, entre todos os que aqui estiveram, os que estão e os que aqui estarão dentro de cem anos, se Deus o permitir. 

Em honra a este legado espiritual, em Família partilhada e alargada aos verdadeiros Amigos aqui presentes, dêmos então Vivas a Deus, a Nossa Senhora da Conceição, a Portugal e a todos nós aqui presentes:

PORTUGAL! PORTUGAL! PORTUGAL! VIVA!“


Seguiu-se um almoço-convívio no restaurante “Insólito” (253 206 420), em Braga, no final do qual, cumprindo a tradição, D. Gaspar de Lencastre leu para todos a Acta, relativa à reunião familiar do ano de 2017, indicando também os nomes de todos os presentes no almoço-convívio por essa ocasião.

Presentes - Reunião Familiar de 2018

  • D. Rodrigo de Coimbra Queiroz de Vasconcelos e Lencastre
  • Mariana Kendall Forbes de Bessa Lencastre
  • Maria Luísa Sousa Cardoso
  • Maria da Graça Sousa Cardoso
  • Elisa Cunha e Silva
  • Maria Isabel de Sousa Vasconcelos e Lencastre
  • Maria Manuela Forbes de Bessa Lencastre
  • Pedro Maria Quelhas Lima de Souza-Cardoso
  • Maria Francisca Corte-Real de Noronha Freire de Andrade de Souza-Cardoso
  • Maria José Freire de Andrade de Souza-Cardoso
  • Mariana de Santiago Sottomayor de Brito e Faro
  • Francisco Xavier de Queiroz e Lencastre Fleming Torrinha
  • Miguel de Queiroz e Lencastre Duarte Monteiro
  • Germano de Coelho e Lencastre da Silva Torres
  • António Maria de Lencastre Torres Pereira da Cunha
  • José Carlos Lencastre Torres Vieira Pouzada
  • Sílvia Cardoso de Coimbra Vasconcelos Lencastre
  • Maria do Patrocínio Queiroz de Sousa Cardoso
  • Luís da Gama Pimenta de Castro Damásio
  • Maria José Lencastre
  • António Lencastre Menezes e Cruz
  • Sílvia Lencastre da Silva Torres de Castro Henriques
  • António de Castro Henriques
  • Maria Ema Aguiar Queiroz Botelho de Sousa
  • Nuno de Queiroz e Lencastre Silva Torres
  • Ana Almeida Fernandes
  • Maria de Sepúlveda Queirós Lencastre
  • Maria Margarida Ribeiro Godinho de Resende dos Santos
  • Mariana Lencastre Torres Vieira Pouzada Ramos
  • Maria Torres Pouzada Duarte Ramos
  • Maria Leonor Torres Pouzada Duarte Ramos
  • Margarida Maria Torres Pouzada Duarte Ramos
  • Pedro André Duarte Braga Ramos
  • D. Gaspar de Coimbra Torres de Queiroz Vasconcelos e Lencastre
  • Pedro Lencastre Torres de Castro Henriques
  • Tânia Machado de Almeida
  • André Stoffel
  • Carlos G. Lencastre Torres Vieira Pouzada
  • Maria Joana Lencastre Torres Vieira Pouzada
  • Pedro Jorge Pias Canedo
  • Rodrigo Cochofel Hölzer e Brito
  • José Luís Cid Lacerda e Megre
  • Carlos Luís Pouzada
  • Maria de Guadalupe Madeira de Vasconcelos Stoffel
  • Maria da Graça Madeira de Vasconcelos Stoffel
  • Maria Margarida Canedo de Queiroz Vasconcelos e Lencastre
  • Mariana Canedo de Coimbra Vasconcelos e Lencastre
  • Rita Pouzada
  • Ana Catarina Canedo Lencastre
  • Rafael Lencastre de Menezes e Cruz Dueire Lins
  • João Lencastre de Menezes e Cruz
  • Maria Isabel Legrand de Coimbra de Vasconcelos e Lencastre


Presentes apenas na Missa:
  • Júlia Canedo
  • José Luís Canedo
  • Nuno de Saavedra de Coimbra e Camanho de Lencastre
  • Paulo de Neville da Cunha Sepúlveda de Lencastre
  • Maria Teresa de Coelho e Lencastre da Silva Torres
  • José de Queiroz e Lencastre da Silva Torres Lencastre
  • João da Costa e Silva


quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

A "Conceição" na cidade de Braga

Escrito por Rui Ferreira, publicado na secção temática "Trilhos Braguenses" do Diário do Minho a 04.12.2017

O último significativo espaço de culto devotado à Conceição de Maria surgiu em 1924. O Seminário Menor, instalado sobre o antigo recolhimento dominicano de Tamanca, foi uma iniciativa do Arcebispo D. Manuel Vieira de Matos.

O culto de Nossa Senhora da Conceição encontra um profundo enraizamento na cidade de Braga. Numa pastoral enviada a toda a Arquidiocese de Braga em 1904, o Arcebispo Primaz D. Manuel Baptista da Cunha afirmara que “esta nossa cidade de Braga a nenhuma outra cedeu o lugar de devotíssima deste santo mistério, muito antes de definição dogmática”. A afirmação, que podia aparecer como mera apologética, acaba por encontrar na história uma profícua verificação.

Se o santuário do Sameiro se afirmou inequivocamente como o mais relevante centro de devoção à Imaculada Conceição em Portugal, antes da sua fundação já na cidade de Braga existiam inúmeros focos desta invocação. A 24 de fevereiro de 1647 a cidade de Braga foi consagrada a Nossa Senhora da Conceição, dando sequência ao que já havia ocorrido no sínodo da diocese ocorrido uma década antes.

O século XVI terá sido o momento em que esta invocação mariana foi introduzida na cidade de Braga, mais propriamente por intermédio de D. João de Coimbra, o Provisor do Arcebispo D. Diogo de Sousa. A capela de Nossa Senhora da Conceição, mais conhecida pelo nome da família que a edificou, é a primeira manifestação significativa deste ideário devocional.

A chegada dos franciscanos à cidade de Braga em 1523 haveria de precipitar uma progressiva implantação deste culto. Primeiro no convento dos capuchos da Piedade em S. Jerónimo de Real, no século seguinte com a fundação de um convento de inspiração franciscana denominado “da Conceição” na antiga rua dos Pelames e, na mesma centúria, com a edificação da igreja dos Terceiros cujo padroado está confiado a Nossa Senhora da Conceição. Ao mesmo tempo, em diversos espaços de culto ia sendo instaurada a devoção “nacional”, que o rei D. João IV proclamava padroeira de Portugal a 25 de março de 1646.

Na ancestral porta medieval de Santiago haveria de surgir o mais importante núcleo devocional de Nossa Senhora da Conceição, cuja imagem haveria de ser declarada “especialíssima defensora da Augusta Braga”. O Oratório de Nossa Senhora da Torre, que haveria de ser monumentalizado sob projeto de André Soares após o terramoto de 1755, encontra-se instalado naquela torre medieval desde meados do século XVII.

A capela do Paço do Arcebispo, edificada no início do século XVIII, também iria adotar como padroeira de Nossa Senhora da Conceição. No mesmo período é fundado o convento da penha de França, devotado à mesma invocação.

Um dos espaços mais relevantes do culto a Nossa Senhora da Conceição existentes na cidade de Braga foi, durante um período significativo, uma ermida sob esta invocação localizada no chamado “Monte das Penas”, que haveria de tornar-se na sede da paróquia de Maximinos após a demolição da primitiva “parochial”.

Os principais templos da cidade de Braga acabaram por ver refletida esta invocação mariana, nomeadamente os que estavam adstritos às ordens religiosas masculinas. Os carmelitas, historicamente fiéis à causa imaculista, exibem no interior do seu templo uma capela lateral dedicada a esta invocação. A igreja do Pópulo detém igualmente uma elegante capela lateral do período barroco instituída sob esta devoção mariana. Também a igreja do antigo Colégio de São Paulo possui uma capela lateral devotada a Nossa Senhora da Conceição inserida numa rara iconografia da árvore de Jessé.

Para completar o périplo pelos conventos masculinos bracarenses, falta abordar os Congregados, antigo convento dos oratorianos. Nas dependências do templo exibe-se um pequeno oratório, denominado de capela do Monge, que impressiona pelo requinte decorativo. Devotado, segundo as crónicas, a Nossa Senhora Aparecida, exibe no seu retábulo uma imagem mariana cuja representação iconográfica corresponde à de Nossa Senhora da Conceição. Além do convento, os Oratorianos possuíam uma “casa de campo para sua recreação”. Localizava-se no lugar das Goladas, e detinha uma ermida devotada a Nossa Senhora da Conceição.

Também a Sé Primaz possuía uma especial veneração a Nossa Senhora da Conceição. No antigo claustro de Santo Amaro, desmantelado aquando das obras promovidas pela DGEMN, existia um oratório sobre a porta da capela de São Geraldo devotado a esta invocação mariana, que havia sido instituída em 1606 pelo Cónego Francisco da Costa, o mesmo que esteve na origem do surgimento da Ordem Terceira na cidade de Braga.

A fundação do santuário do Sameiro a partir de 1863 haveria de confirmar esta especial predileção bracarense pela devoção a Nossa Senhora da Conceição. Erigido em comemoração do dogma da Imaculada Conceição, tornar-se-ia num dos maiores centros de devoção mariana em Portugal.
Apesar de Vila Viçosa deter a imagem mariana coroada pela mão do monarca português e de Coimbra lhe ter consagrado a mais antiga academia nacional, não sobram dúvidas de que foi a cidade de Braga a que mais testemunhos acumula desta tão discutida invocação e também a que lhe dedica maior vitalidade.

Retábulo da Capela dos Coimbras, dedicado a Nossa Senhora da Conceição,
ladeada por sua mãe Santa Ana (à direita) e seu pai São Joaquim (à esquerda)

Um debate secular
Uma mulher vestida de sol, coroada com doze estrelas, esmagando uma serpente e com a lua debaixo dos pés. Prevista no pensamento divino desde toda a eternidade, nela se cumpriu o projeto de salvação da humanidade que os judeus anunciaram ao longo de séculos. Debatida ao longo de séculos, a sua conceção isenta de mácula vai tornar-se uma problemática sobretudo filosófica e teológica. Apesar das divergências racionais e da ausência de fundamentação bíblica, a conceção imaculada de Maria começou a ser celebrada nomeadamente no Oriente. A partir da Idade-Média os franciscanos vão propagar esta devoção nos lugares onde detinham singular influência. Seria precisamente um Papa franciscano, Sisto IV, quem no ano de 1477 haveria de integrar a festa de Nossa Senhora da Conceição no calendário litúrgico. A constituição apostólica “Sollicitudo Omnium Ecclesiarum”, publicada por Alexandre VII a 8 de dezembro de 1661, limitaria a dialética que a proclamação dogmática “Ineffabilis Deus”, empreendida pelo Papa Pio IX em 1854, encerraria.

* Texto escrito em conformidade com o novo acordo ortográfico.

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

8 de Dezembro de 2017

Casa dos Coimbras - Reunião Familiar


Missa pelas 11 horas na Capela da Nossa Senhora da Conceição da Guia, celebrada pelo Reverendíssimo Cónego António Macedo, com homilia em honra de Nossa Senhora da Conceição, Padroeira de Portugal.

Antes da Missa, D. Rodrigo de Coimbra de Queiroz Vasconcelos e Lencastre, neto do actual Administrador da Capela e Casa dos Coimbras D. António de Queiroz Vasconcelos e Lencastre proferiu as seguintes intenções da Missa:

“1ª. A primeira intenção será por alma do Dr. João de Coimbra, fundador desta Capela de Nossa Senhora da Conceição da Guia, que ele instituiu cabeça do Morgadio e nela se encontra jazido.

2ª. Como segundo sufrágio, o mais importante e também dos mais pesarosos até hoje celebrados nestas Missas anuais, será pela alma de meu Avô, D. António de Queirós Vasconcelos e Lencastre, 13º Administrador e Herdeiro do Morgadio dos Coimbras, até à data da sua morte no passado dia 6 de Setembro. Foi ele, juntamente com o seu irmão D. José Paulo de Lencastre, que instaurou estas nossas reuniões familiares, celebradas todos os dias 8 de Dezembro, desde há 40 anos para cá. A morte de D. António, português de carácter nobre e inspirador, depositário de uma vida longa e plena, impele-nos a dar Graças a Deus pelo privilégio de termos vivido com ele parte dos seus 104 anos, partilhando os laços inquebráveis do amor familiar e da amizade genuína. A dor e o luto são impiedosos, mas mais elevada deverá ser a nossa homenagem ao Homem e à sua Obra deixada nesta terra. Morreu o Homem, um Cristão devoto e um dos grandes filhos da Pátria Portuguesa. Seja sempre D. António exemplo para nós, os que cá ficamos e os que nos seguirão.

3ª. Não menos triste e difícil será esta terceira intenção, por alma de D. Maria Teresa de Lencastre Torres, minha querida Tia Teresinha e irmã enternecida de meu Avô, que, com 92 anos, morreu recentemente no passado dia 24 de Novembro.
Tantas vezes presente nestas reuniões anuais, a Tia Teresinha deixará sempre em nós saudade profunda e uma inspiração de Generosidade e Amor, de que os seus 13 filhos, 28 netos e 18 bisnetos serão sempre testemunhas vivas.

4ª. Ainda como intenção desta Missa, pedimos também pelas muitas almas dos já falecidos que aqui vieram a estas reuniões anuais nestes últimos 40 anos consecutivos, bem como por todos os nossos familiares e amigos que presentemente se encontram em convalescença de saúde.

5ª. Por último e como o valor da Missa é infinito, atrevo-me a pedir-lhe para mim alguma graça e bênção na condução desta minha nova missão como 14º Administrador do Morgadio dos Coimbras, continuando assim a dar cumprimento às disposições testamentárias do nosso tão valoroso antepassado, o Dr. João de Coimbra e prolongando nos anos vindouros estas reuniões de Família e Amizade. Possa eu estar à altura dos nossos antepassados, em honra e carácter e assim poder passar este precioso legado aos nossos descendentes para que o continuem no futuro mais distante.”


Após a Missa, seguiu-se o tradicional brinde com vinho fino do Douro, tomado na Sala do Capítulo da Torre dos Coimbras, durante o qual D. Rodrigo Lencastre proferiu palavras de boas-vindas a todos os convidados, baseadas nas seguintes notas previamente preparadas:

O primeiro agradecimento é dirigido a Deus e a Nossa Senhora da Conceição (data festiva) pelo privilégio de podermos estar reunidos desde há 40 anos para cá – por tal, fazemos a nossa Acção de Graças.

Agradecemos também aos presentes: Familiares e Amigos. Como é tradição, felicitamos de forma especial os estreantes nestas andanças, Júlia e José Luís Canedo, meus tios por afinidade, e a pequena Mariana Lencastre, minha filha benjamina, baptizada este ano nesta nossa Capela a 22 de Julho. Sejam todos bem-vindos!

Há um ano atrás, recordávamos com tristeza e saudade a morte de meu Pai. Não lhe bastando essa grande perda, a implacável morte levou-nos também este ano a nossa pedra basilar familiar – o meu Avô, o Pai do meu Pai. Este meu primeiro ano como 14º Administrador do Legado dos Coimbras, gostaria apenas de o distinguir com uma sentida homenagem aos que me precederam.

Seguindo esta minha intenção, partilho convosco alguns excertos do discurso que proferi a meu Avô, aquando da celebração dos seus 100 anos de vida, a 9 de Agosto de 2013. Por fim, servirão também estas próximas linhas para consubstanciar a génese e o espírito que fundeia e anima estas reuniões anuais, as correntes familiares e fraternais que se elevam acima do tempo e se prolongam no sangue, nos valores e nos ideais, que meu Avô tão zelosamente encarnou:

"Caros Familiares e Amigos,
Meu querido Avô, (...)
Nesta ocasião, é com uma certeza sentida, mas não racionalizada, que invoco aqui, como estando presentes nesta celebração, todos os nossos antepassados já idos que viveram e festejaram a vida de meu Avô. Ao honrar os nossos antepassados, estaremos sempre a celebrar os que vivem, pois não há rio sem nascente, nem há netos sem avós. (...)
É também minha convicção que a melhor forma de celebrarmos o Homem, faz-se, comemorando os Princípios e Ideais que estão na génese da sua Alma. Assim o desejo fazer aqui e agora:

Avô,
A sua Fé inquestionável em Deus e a espiritualidade que coloca, tanto  nos pequenos gestos, como nos seus grandes feitos, relembram-nos a nobre missão do Homem na sua passagem pelo mundo que deverá ser sempre fiel à Criação Divina. Mais que palavras de poeta ou vãs intenções, o meu Avô assumiu a mundividência cristã ao longo de uma vida, preenchida por façanhas, alegrias, dificuldades e tristezas. Todo este espólio, o meu Avô entregou a Deus, na humildade da condição humana que almeja alcançar o eterno e o divino.
(...)
Avô,
O seu sublime amor à Pátria, colocando Portugal acima de todas as prebendas e mordomias, comovem-nos de forma sentida. Imaginamos a sua angústia e dor ao presenciar, durante o século que viveu, a forma insana e ignóbil como uns poucos desbarataram e destruiram património histórico da nossa Pátria milenar.
Meu Avô lutou, sofreu e sacrificou-se pela Pátria. O meu Avô honrou os nossos antepassados, que tinham contribuído para que Portugal desse novos mundos ao Mundo. Neste tempo, o Quinto Império tarda em chegar. Cabe-nos a nós, gerações mais novas, continuar o Bom Combate e honrar os nossos antepassados. Assim o faremos.
(...)
Avô,
A sua obra de vida será sempre exemplo para os que lhe sucedem. O seu arado foi lavrando, ao longo do tempo,  um solo rico, fertilizado pelo Legado e Património da Família. Lançou assim nova seara para ser continuada por nós e por nossos descendentes. Assim Deus nos ajude.
Permitam-me apenas realçar o Valor da Família. Este não se limita a pedras erguidas ou restauradas em magníficas obras, às mãos de meu Avô, como o foram a reconstrução da Casa do Pinheiro no Douro, a criação de um jardim natural de riqueza e diversidade ímpares na Quinta do Rêgo, em Paços de Ferreira (...) ou até mesmo a mais recente reconstrução da Casa da Granja, em Amarante (...).
Estas são, sem dúvida, pegadas que só um grande homem pode deixar no seu caminho para orientação dos que lhe seguem. No entanto, a Família e o seu legado têm como pedras angulares os Valores e os Princípios que passam de pai para filho e para neto. "Não somos mais, nem melhor, nem temos mais a haver nesta vida que os outros" disse-me meu Avô numa bela tarde duriense, "Pelo contrário, temos mais responsabilidades, pois devemos mais a esta vida, do que eles".
(...)
Por fim, agradeço ao meu Avô a sua vida, o seu exemplo e os seus ensinamentos, que me permitem estar aqui, hoje e perante vós, a proclamar com voz segura e bem alta o meu orgulho em ser neto de D. António.
Damos graças a Deus por podermos celebrar a vida de um grande homem e de um grande português e é por isso que vos convido a erguerem  os vossos cálices e partilharem connosco o nosso tradiconal brinde de Família – um grito de revolta e inconformismo, mas ao mesmo tempo de regozijo e de esperança.“


PORTUGAL! PORTUGAL! PORTUGAL! VIVA!

Seguiu-se um almoço-convívio no restaurante “Caldo Entornado” (253 065 578), no Centro Histórico de Braga, após o qual o actual Administrador leu um excerto de um artigo publicado no jornal Diário do Minho em 04.12.2017, escrito pelo assessor do pelouro da Cultura da Câmara Municipal de Braga, Dr. Rui Ferreira, onde se releva a importância primordial da Capela dos Coimbras na introdução do culto a Nossa Senhora da Conceição no início do século XVI, não só na cidade de Braga, mas também em todo o então Reino de Portugal, uma vez que o Arcebispado de Braga se assumia à época como um dos polos de maior influência doutrinária e espiritual no então Reino de D. João III, bem como em toda a Península Ibérica. O artigo foi gentilmente recortado e oferecido pelo Reverendíssimo Cónego António Macedo.
(Ver artigo seguinte)

Por fim, terminou-se o convívio com a tradicional leitura da Acta, relativa à reunião familiar do ano de 2016, indicando-se os nomes de todos os presentes no almoço-convívio por essa ocasião.

Presentes - Reunião Familiar de 2017

  • D. Rodrigo de Coimbra Queiroz de Vasconcelos e Lencastre
  • Padre António da Silva Macedo
  • Elisa Cunha e Silva
  • Mariana Kendall Forbes de Bessa Lencastre
  • Maria Manuela Forbes de Bessa Lencastre
  • Maria Luísa Sousa Cardoso
  • Luís da Gama Pimenta de Castro Damásio
  • Sílvia Lencastre da Silva Torres de Castro Henriques
  • António Forbes de Bessa Lencastre
  • Maria da Graça Sousa Cardoso
  • Maria Isabel de Sousa Vasconcelos e Lencastre
  • Maria do Patrocínio Magalhães Queiroz de Sousa Cardoso
  • Maria Ema Aguiar Queiroz Botelho de Sousa
  • Rodrigo Cochofel Hölzer e Brito
  • Sílvia Cardoso de Coimbra Vasconcelos Lencastre
  • Maria Margarida Ribeiro Godinho de Resende dos Santos
  • Pedro Jorge Pias Canedo
  • Arnaldo Maria Rosas Pimentel Barbosa
  • Maria José Lencastre
  • Ana Catarina Canedo Lencastre
  • Maria Margarida Canedo Queiroz de Vasconcelos e Lencastre
  • Mariana Canedo Coimbra de Vasconcelos e Lencastre


Presentes apenas na Missa:
  • Júlia Canedo
  • José Luís Canedo
  • D. Nuno de Saavedra de Coimbra e Camanho de Lencastre
  • D. Gaspar de Coimbra Torres de Queiroz Vasconcelos e Lencastre
  • Maria Isabel Legrand de Coimbra Vasconcelos e Lencastre
  • André Madeira Stoffel

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

8 de Dezembro de 2016

Casa dos Coimbras - Reunião Familiar



Missa pelas 11 horas na Capela da Nossa Senhora da Conceição da Guia, celebrada pelo Reverendíssimo Cónego António Macedo, com homilia em honra de Nossa Senhora da Conceição, Padroeira de Portugal.

Antes da Missa, D. Rodrigo de Coimbra de Queiroz Vasconcelos e Lencastre, neto do actual Administrador da Capela e Casa dos Coimbras D. António de Queiroz Vasconcelos e Lencastre proferiu as seguintes intenções da Missa:

“1ª. O primeiro sufrágio será pela alma do Dr. João de Coimbra, Provedor do Arcebispado de Braga, instituidor do Morgadio dos Coimbras e fundador desta Capela, cabeça desse Morgadio, que ele escolheu também para sua sepultura e onde se encontra jazido.

2ª. Como segundo sufrágio e o mais importante será pela alma do Filho Primogénito do actual Administrador e meu Pai, D. Miguel de Coimbra Queiroz de Vasconcelos Lencastre, falecido a 12 Julho deste ano. A sua generosidade, abnegação e total compromisso com a Verdade e o Bem nunca serão esquecidos pela nossa Família. A sua Fé e a sua Portugalidade, reflectidas no seu patriotismo, na sua coragem e dignidade, tanto em tempos de guerra como nos de paz, foram honradas por meu Pai até ao último dos seus dias de vida terrena. Seja D. Miguel Lencastre um exemplo, sempre vivo e presente, para os que cá ficam.

3ª. Outra intenção, também ela de importância reforçada, será para que meu Avô, o actual Administrador da Capela e Casa dos Coimbras, D. António de Queirós Vasconcelos e Lencastre, que se encontra em convalescença desde há poucos meses, brevemente se restabeleça e possa estar aqui presente de hoje a um ano, continuando a administrar e a dar cumprimento às disposições testamentárias do nosso tão valoroso antepassado, o Dr. João de Coimbra.

4ª. Pelo restabelecimento do nosso leal e amigo Sr. Manuel Macedo, Procurador desta Capela desde longa data, sujeito a intervenção cirúrgica delicada, pedimos a Deus as suas rápidas melhoras.

5ª. Como o valor da Missa é infinito, vamos pedir-lhe também sufrágio pelas muitas almas dos já falecidos que aqui vieram a estas reuniões anuais nestes últimos trinta e nove anos consecutivos.

6ª. Do mesmo valor infinito da Missa esperamos que alguma graça ou réstia de virtude nos caiba, a nós, os vários que tão devotamente a ela assistimos e presenciamos.”


Após a Missa, seguiu-se o tradicional brinde com vinho fino do Douro, tomado na Sala do Capítulo da Torre dos Coimbras, durante o qual D. Rodrigo Lencastre proferiu palavras de boas-vindas a todos os convidados, baseadas nas seguintes notas previamente preparadas:

"Um primeiro agradecimento dirigido a Deus e a Nossa Senhora da Conceição (data festiva) pelo privilégio de podermos estar reunidos desde há 39 anos para cá – por esse privilégio, fazemos a nossa Acção de Graças.

Um segundo agradecimento aos presentes: Familiares e Amigos. Como é tradição, felicitamos de forma especial os estreantes nestas andanças (este ano no entanto, somos todos veteranos). Sejam bem-vindos a este Clã.

Tem sido um ano muito difícil para a nossa família: desaparecimento de meu Pai, que seria o 14º. natural herdeiro do legado do Dr. João de Coimbra, como filho primogénito do actual Administrador, o meu Avô.
A Homenagem feita nas intenções da Missa deve ser lembrada e seguida como exemplo. Da mesma forma, é com muita honra que seguirei o legado e continuarei a luta de muitos dos combates que meu Pai deixou por terminar. A ele também brindarei todos os dias da minha vida!

Uma palavra inevitável e muito sentida pelo meu Avô (actual Administrador) que nos seus incansáveis 103 anos, nunca falhou um 8 de Dezembro e este ano viu-se obrigado a não estar presente. É com muita responsabilidade e consciente do valor e simbolismo que esta nossa linha dos Coimbras encerra nas muitas gerações passadas e nas vindouras, que hoje o represento neste dia. É com esperança redobrada que esperamos ter o meu Avô novamente entre nós de hoje a um ano, aqui na Casa dos Coimbras.

Por último, uma palavra sobre o testemunho que hoje aqui prestamos, todos em comunhão: os rituais e tradições são para mim uma rede que liga o passado e o futuro, como que num único elo que somos nós, aqui e hoje – no presente. Ao prestarmos homenagem aos nossos antepassados, afirmamos as nossas origens com orgulho – a nossa identidade : o “de onde vimos” define-nos a nós e aos nossos valores e princípios. São estes que orientarão o nosso “para onde vamos”. Hoje lembramos os que já foram e desta forma damos exemplo para que a nossa descendência também nos lembre amanhã. Não nos bastam os laços de família e amizade. Estes, se não forem reforçados com os ritos e as cerimónias temporais, como esta que aqui realizamos desde há 39 anos para cá, correm o risco de cair no esquecimento da distância ou na desumanidade que a nossa cultura materialista e massificada de hoje nos impõe. Seja este nosso testemunho, exemplo e animo para as gerações mais novas – as dos nossos filhos e netos.

Ergamos então os cálices com entusiasmo e orgulhosos das nossas raízes.
Brindemos como sempre o temos feito e como os nossos Pais e Avós sempre o fizeram:



PORTUGAL, PORTUGAL, PORTUGAL! VIVA!"


Seguiu-se um almoço convívio no restaurante “Caldo Entornado”, no Centro Histórico de Braga.