"Os Valores são os princípios indiscutiveis, que deverão servir de âncoras e alicerces à construção do que denominamos Ética de Vida.
Nós acreditamos nos Valores que, ao longo dos Séculos, têm dado provas de muito terem contribuido para dar sentido, significado e dignidade à existência humana.
Assim sendo, o Pai que somos, tem por imperativo moral de transmitir, da melhor forma que sabe, esses princípios aos seus descendentes."

Miguel Lencastre em "De um Pai para os Pais do Presente e do Futuro" - 2010

quinta-feira, 21 de outubro de 2021

Discurso de Reabertura Oficial da Capela e Torre dos Coimbras – 28.07.2021



Sua Excelência Sr. Presidente da Camara Municipal de Braga, Dr. Ricardo Rio

Exmos. Senhores Vereadores da Câmara Municipal de Braga, ...

Caríssimos convidados, familiares e amigos.

É como descendente de D. João de Coimbra, sepultado nesta Capela por ele erigida, e como 14º Administrador do Morgadio dos Coimbras, também por ele instituído em 1530, por mercê de El Rei D. João III, precisamente poucos anos após a fundação desta nossa Capela de Nossa Senhora da Conceição da Guia, que partilharei algumas palavras com Vossas Excelências, em representação da nossa Família.

É também em testemunho das já muitas gerações da Família Coimbra, anteriores a nós, que desde os inícios de 1500 têm legado esta Capela e sua Casa aos seus descendentes, até aos dias de hoje, que quero manifestar a nossa grande alegria e sentida comoção por podermos presenciar este acontecimento hoje e aqui.


A recuperação desta Capela e sua Torre, ímpares na cidade de Braga, provém de uma ideia antiga nossa que se transformou numa vontade partilhada com muitas outras pessoas e entidades, dando por fim origem ao nascimento da obra. Na verdade, esta edificação é para nós verdadeiro monumento a um legado e uma história, não só de uma família, mas também de toda uma cidade e foi precisamente com este espírito que, desde o início deste projeto, definimos como propósito final, a reabertura da Capela de Nossa Senhora da Conceição da Guia e seu torreão a toda a pólis bracarense, voltando a partilhar com a comunidade este magnífico património artístico e arquitectónico e sua espiritualidade e beleza ascética, tão bem encarnados neste pequeno templo de devoção mariana.

É também com esse mesmo espírito e elevando a nossa fé católica, sendo esta também um legado dos nossos antepassados, que, primariamente damos graças a Deus Pai e a Nossa Senhora da Conceição, Padroeira desta capela, agradecendo esta bem-aventurança de podermos estar todos aqui e celebrar esta efeméride tão importante para a família.

Permitam-nos também, antes de agradecer aos muitos que contribuíram para esta obra, lembrar os nossos antepassados, em especial a memória das duas últimas gerações que me precedem: o meu Avô, D. António de Lencastre e o meu Pai, D. Miguel de Lencastre, que celebraria hoje 77 anos de vida – uma simbólica conjugação de datas, demasiado importante para ser reduzida a uma mera coincidência. Ambos em vida dedicaram-se à valorização da Capela e Casa dos Coimbras. Muito mais que simples muros trabalhados ou monumentos de valor histórico, para nós, estas são as pedras vivas da nossa Família e de todas as gerações que por aqui passaram, um verdadeiro Legado Espiritual, relicário de história, de valores, tradições e memórias de muitas gerações.

Finalmente, gostaríamos de manifestar a nossa profunda gratidão a todos os que contribuíram para que este feito se concretizasse:

Aos materializadores desta obra e nossos parceiros, a empresa SIGNINUM, aqui configurada no Dr. Luís Aguiar e no Dr. António Cardoso, pelo compromisso e a confiança depositada neste projeto, sempre acompanhados de um entusiasmo e resiliência inexcedíveis, demonstrados em todos os esforços, em todas as dificuldades e em todos os desafios ultrapassados ao longo deste percurso;

A todas as entidades públicas, municipais, religiosas e sociais que contribuíram para que este projeto se pudesse realizar, apesar das dificuldades e riscos que esta insólita situação pandémica nos tem imposto, desde inícios do ano passado;

Aos muitos familiares e amigos que, ao longo de muitos anos, se dedicaram à manutenção física e espiritual da Capela e Casa dos Coimbras, relevando o Reverendíssimo Cónego António Macedo, seu saudoso irmão Sr. Manuel Macedo, durante muitos anos o Procurador desta Capela e todos os nossos familiares e amigos que, ao longo das últimas décadas, têm marcado presença nas nossas reuniões familiares anuais, aqui realizadas.

Por último, partilhamos o nosso desejo de que este espaço possa ser a partir de hoje na cidade de Braga um polo agregador de diversidade, cultura, humanidade, arte e alegria, pulsante de vida e sedento de futuro.

Como já o mencionei, desde há muitos anos para cá, por disposição testamentária do  D. João de Coimbra, que a nossa família se reúne todos os 8 de Dezembro nesta Capela, para celebrar a Missa em honra da Nossa Senhora da Conceição e em sufrágio pela alma do nosso valoroso antepassado, edificador desta Capela. Desde há muitos anos o fazemos na intimidade da família e amigos mais chegados. A partir deste ano, iremos como sempre, cumprir com essa antiga tradição familiar, mas com a boa consciência de saber que doravante as nossas portas permanecerão abertas a todos os bracarenses, portugueses e cidadãos do Mundo que queiram (re)descobrir este legado histórico.

Em suma, desejamos que no grande plano das coisas, a Capela e Torre dos Coimbras infundam em quem as visita os bons valores e princípios que desde há muito regem a nossa Civilização e a nossa Mundividência: o Passado e Presente, sempre entrelaçados, rumo a um Futuro mais digno, mais próspero e mais humano.

 

Rodrigo de Coimbra Queiroz de Vasconcelos Lencastre


"Capela dos Coimbras abre portas ao público" in Correio do Minho - 29.07.2021

 "A cerimónia de abertura contou com a presença do presidente da Câmara Municipal de Braga, Ricardo Rio, com os representantes da família Lencastre, e com o sócio da empresa Signinum, Luis Aguiar Campos.



Quanto à ideia de abrir a Capela, o actual administrador do Morgadio dos Coimbras, Rodrigo de Coimbra Lencastre, explica que “a recuperação provêm de uma ideia antiga que se transformou numa vontade partilhada com muitas entidades.”Acrescenta ainda que a edificação é um “verdadeiro monumento de um legado e de uma história, não só de uma família mas também de toda uma cidade”.

Com este projecto pretende-se que o edifício seja agora um polo agregador de diversidade, cultura, arte e alegria. Para Outubro está prevista a abertura de um Café-Museu na casa dos Coimbras, localizado junto ao jardim. Até lá, vão ainda ser desenvolvidos trabalhos de conservação do exterior da Capela. A entrada na mesma terá um custo de 5 euros, com direito a uma bebida no bar do jardim.
Estará disponível para visitas das 9.30 horas ás 18.30 horas, e, quanto à esplanada que se encontra no jardim da Casa, pode ser usufruído até ás 23 horas.

No que diz respeito aos principais desafios no trabalho de conservação da Capela, Luís Aguiar Campos ressalta que, até agora, a empresa esteve focada na preservação do interior da mesma, assim como na Torre. Para além disso “o altar em pedra de Ançã encontrava-se também em processo de desagregação, bem como o que resta da camada cromática”.
Os trabalhos no exterior serão iniciados “logo que haja licença de ocupação da via pública”, acrescenta."

in Correio do Minho, 29.07.2021

terça-feira, 15 de dezembro de 2020

8 de Dezembro de 2020

Casa dos Coimbras – Reunião Familiar


Missa pelas 11:00 horas na Capela da Nossa Senhora da Conceição da Guia, celebrada pelo Reverendíssimo Cónego António Macedo, com homilia em honra de Nossa Senhora da Conceição, Padroeira de Portugal. Missa pelas 11:00 horas na Capela da Nossa Senhora da Conceição da Guia, celebrada pelo Reverendíssimo Cónego António Macedo, com homilia em honra de Nossa Senhora da Conceição, Padroeira de Portugal. Devido à proibição de mobilização física dos cidadãos entre Concelhos, determinada pelo Governo Português, com o intuito de abrandar o contágio da pandemia Corona Covid-19 que tem flagelado Portugal e o Mundo ao longo do ano de 2020, apenas estiveram presentes na Cerimónia, em representação simbólica de toda a Família, o actual Administrador do Morgadio, D. Rodrigo de Lencastre, juntamente com sua irmã D. Maria Isabel de Lencastre e seu primo D. Gaspar de Lencastre. A Missa foi transmitida em directo para os demais familiares e amigos que não puderam estar presentes, através da Internet, via Teams. 


Antes da Missa, o 14º Administrador da Capela e Casa dos Coimbras, D. Rodrigo de Coimbra de Queiroz Vasconcelos e Lencastre, proferiu as seguintes intenções da Missa:

“1ª. A primeira intenção da Missa será para satisfazer as determinações testamentárias do Dr. João de Coimbra, provisor do Arcebispo de Braga, D. Diogo de Souza, e a quem se deve a construção desta Capela nos princípios de 1500. Foi nesta Capela, que o Dr. João de Coimbra escolheu para seu sarcófago e na qual se encontra sepultado, que viria a assentar também a sede do Morgadio dos Coimbras que ele instituiria em 1530, por mercê de El Rei D. João III.

2ª. Serão estas segundas intenções de sufrágio pelas almas de todos aqueles que, acorrendo a esta cerimónia anual, foram caindo ao longo dos 43 anos que ela se vem realizando. Lembramos de uma forma especial, os nossos Familiares e Amigos mais próximos que, atravessando 4 gerações, comungaram connosco desta Missa tão especial, celebrada em honra a Nossa Senhora da Conceição.

3ª. A terceira intenção será um prolongamento da anterior, pedindo nós pelas almas dos últimos Administradores deste Morgadio dos Coimbras que me precederam, cada um deles representando os caídos da sua geração: D. José Maria de Lencastre, D. António de Lencastre e D. Miguel de Lencastre.

4ª. Para além dos mortos, também os vivos serão intencionalmente lembrados na Missa, com especial carinho a nossa querida Tia Guidinha, D. Margarida Maria de Lencastre, pedindo a Nossa Senhora que a proteja e lhe conceda muitas graças. Que o seu sorriso e a sua força nos continuem a inspirar por muitos mais anos, sem longe nem distância.

5ª. Por último e como o valor da Santa Missa é infinito, pedimos também por todos nós que assistimos a esta celebração, aqui nesta Capela ou em nossas casas, através da sua transmissão em directo, via internet. Condicionados pela pandemia que hoje grassa pelo Mundo inteiro, pedimos-vos Senhor, por intercepção de Vossa Mãe, a vossa proteção e auxílio neste momento de maior aflição, de uma forma especial para os que neste momento mais sofrem, directa ou indirectamente, com o flagelo desta doença.”


Após a Missa e na impossibilidade de se realizar o tradicional brinde com vinho fino do Douro, tomado na Sala do Capítulo da Torre dos Coimbras, pelas razões pandémicas já indicadas, D. Rodrigo de Lencastre encerrou a transmissão em directo, via Internet, com uma breve alocução, baseada nas seguintes notas, previamente preparadas:

“Querida Família,

Queridos Amigos,

Desejo apenas partilhar umas breves palavras para com todos os que nos seguem em casa, através da transmissão online, via internet.

Foi com tristeza que este ano, pela primeira vez em 43 reuniões familiares do dia 8 de Dezembro, não nos foi permitido congregar nesta nossa Capela dos Coimbras, nem tão pouco subir ao Torreão para o nosso tradicional brinde da praxis.

Não foi o tempo sempre tão escasso, nem a distância tão longa, nem as vicissitudes mais rotineiras das nossas vidas que nos obrigaram a prescindir da nossa celebração anual. Foi, sim, um pequeníssimo ser que, invisível aos olhos, se revela mais poderoso e implacável que muitas outras ameaças e inimigos, tome ele a forma da doença física, ou a da angústia do medo que incute em muitos.

E foi precisamente para fazer face a esta angústia dos dias de hoje, que fizemos por manter esta celebração viva e partilhada, através das novas tecnologias. Não queríamos, nem podíamos prescindir da celebração destes nossos rituais centenários nesta pequena e singela Capela que alberga em si toda uma espiritualidade e um legado vastíssimos e resistentes ao tempo. Por maiores que sejam as tormentas e os medos, a Fé permanece o farol sobre o rochedo que é a Família do sangue e a dos amigos.

Desde há mais de 500 anos para cá, este mesmo Altar, consagrado a Nossa Senhora da Conceição da Guia, foi testemunha dos tempos mais terríveis e difíceis, aos quais Portugal e os nossos antepassados subsistiram. Tenhamos nós a humilde capacidade de colocar este dia e este ano de 2020 sob o plano desses 5 séculos e, se o fizermos de forma honesta e despretensiosa, na verdade, saberemos valorizar ainda mais os nossos egrégios Avós que das brumas da memória levaram Portugal a muitas vitórias.

Sirvam então estes tempos, o da pandemia também, mas acima de tudo o do Natal, para nos curvarmos sobre nós próprios, numa dimensão abnegada e fiel à Verdade, convidando-nos a acolher e a assumir o essencial do que somos, do que vivemos, do que queremos ser e do queremos viver.

Antes de vos deixar com uma pequena e terna oração, queria apenas fazer uma última invocação… para mim, a mais importante deste dia: a minha querida Tia Zé, D. Maria José de Lencastre, Mãe do meu primo Gaspar, que estando hoje a atravessar uma provação muito difícil na doença, nos mostra a Força e Coragem que devemos assumir para enfrentar as adversidades e os medos que se nos deparam ao longo da nossa vida. Que Deus conceda a vitória final à Tia Zé e que a sua Força e Coragem nunca esmoreçam, devidamente fortalecidas pelas nossas orações.

Que Teus olhos, Menino, ensinem largueza e altura aos meus olhos.

Que Teus olhos curem os meus da fadiga e dos seus filtros.

Que Teus olhos desimpeçam a visão fragmentária, parcial e indecisa.

Que Teus olhos devolvam aos meus olhos o vento azul da viagem e a sua alegria.

Devolvam o real como anel aberto, em vez dos círculos obsidiantes e fechados.

Devolvam o aberto como imagem e programa.

Que Teus olhos, Menino, ensinem aos meus o seu Natal.

Cardeal José Tolentino de Mendonça:

 

Que o Deus Menino e Sua Mãe olhem por nós. Amén.

Portugal, Portugal, Portugal… VIVA!!!


Terminada a transmissão em directo, via Internet, deram-se por encerradas as cerimónias deste ano de 2020.

 

segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

8 de Dezembro de 2020 - Transmissão online

Queridos Familiares e Amigos.

Pelas razões pandémicas que todos nós infelizmente temos vivido nos últimos meses, no próximo dia 8 de Dezembro (amanhã) e pela primeira vez em 43 anos não será possível reunirmo-nos na nossa Capela dos Coimbras, em Braga, para cumprir com a longa tradição familiar de celebrar a Missa da Nossa Senhora da Conceição e cumprir assim com as disposições testamentárias do nosso ilustre antepassado, o Dr. João de Coimbra. Ainda assim, não deixaremos de cumprir as nossas obrigações enquanto herdeiros deste património espiritual e de pedras vivas.

Nesse sentido, iremos rezar simbolicamente a Missa na nossa Capela, amanhã dia 8 de Dezembro, pelas 11:00 da manhã, celebrada pelo Sr. Cónego António Macedo, transmitindo a celebração por internet, via TEAMS.

Todos poderão assistir à Missa online, acedendo ao seguinte atalho (weblink):

Clique aqui para participar na reunião (microsoft.com)

Desta forma, ainda que fisicamente distantes, poderemos espiritualmente partilhar uma vez mais a nossa Fé e devoção e fazer a nossa Acção de Graças a Nossa Senhora da Conceição, pedindo pela nossa Família, pelos nossos Amigos e por Portugal, nesta altura de forte atribulação.

Portugal, Portugal, Portugal: VIVA!



terça-feira, 10 de dezembro de 2019

8 de Dezembro de 2019

Casa dos Coimbras – Reunião Familiar


Missa pelas 11:00 horas na Capela da Nossa Senhora da Conceição da Guia, celebrada pelo Reverendíssimo Cónego António Macedo, com homilia em honra de Nossa Senhora da Conceição, Padroeira de Portugal.

Antes da Missa, o 14º Administrador da Capela e Casa dos Coimbras, D. Rodrigo de Coimbra de Queiroz Vasconcelos e Lencastre, proferiu as seguintes intenções da Missa:

“1ª. O primeiro sufrágio será pela alma do Dr. João de Coimbra, Provedor do Arcebispado de Braga, instituidor do Morgadio dos Coimbras e fundador desta Capela, cabeça desse Morgadio, que ele escolheu também para sua sepultura e onde se encontra jazido.

2ª. O segundo sufrágio e o mais sentido este ano será pela alma do nosso saudoso amigo Sr. Manuel Macedo, falecido a 26 de Janeiro deste ano. Procurador desta Capela, já desde o tempo de vida de meu Bisavô D. José de Lencastre, o seu exemplo de abnegação e dedicação para com a nossa Família e esta Capela deverão ser sempre recordados por nós. Da mesma forma, as outras causas que abraçou e viveu ao longo da sua vida – o Evangelho, a Caridade, o Escutismo e a Família, são testemunho e prova do carácter admirável e completo de um homem de humildade rara para com uma alma tão cheia. Pedimos assim a Deus e a Nossa Senhora da Conceição o tenham já em Sua companhia. 

3ª. O terceiro sufrágio será pela alma do estimado Eng. Calhau Roberto, falecido no passado dia 3 de Outubro. A sua profunda amizade, vivida e partilhada em vida ao longo de largas décadas com meu Avô, D. António de Lencastre, 13 º Administrador do Morgadio dos Coimbras, é também hoje recordada e celebrada nesta cerimónia.

4ª. Como quarta intenção, rezaremos por todos os que já partiram da nossa Família, recordando o meu Avô, D. António de Lencastre e o meu Pai, D. Miguel de Lencastre, representantes de duas gerações familiares diferentes, refletindo-se neles todos os nossos Avós, Pais, Esposos, Tios, Irmãos e Primos que já partiram. Que Maria, Nossa Senhora, reforce a nossa Fé, pois é Ela que nos faz acreditar que todos os nossos queridos estão hoje aqui em espírito a celebrar connosco este dia tão especial – um dia de Fé, de Família e de Amizade.

5ª. De igual forma, colocamos como quinta intenção o sufrágio pela alma de todos familiares e amigos que, acorrendo a esta cerimónia anual nos últimos 42 anos, foram partindo para junto do Pai.

6ª. Por último e como o valor da Missa é infinito, esperamos que alguma graça ou réstia de virtude nos caiba, a nós, os vários que tão devotamente a ela assistimos e presenciamos.

Terminadas as intenções formais, peço a todos os presentes que rezem também pela nossa venturosa Tia Guidinha, a última da sua brilhante geração – os filhos de D. Maria Haydée e D. José de Lencastre; para que Nossa Senhora a proteja e guie em saúde e ânimo por Terras de Vera Cruz. Possa a nossa oração chegar mais longe do que o oceano que nos separa desta nossa tão querida Tia-Matriarca.“


Após a Missa, seguiu-se o tradicional brinde com vinho fino do Douro, tomado na Sala do Capítulo da Torre dos Coimbras, durante o qual D. Rodrigo Lencastre proferiu palavras de boas-vindas a todos os convidados, baseadas nas seguintes notas previamente preparadas:

1.    Em primeiro lugar e como nunca poderei deixar de priorizar, quero agradecer a nosso Deus Pai e a Nossa Senhora da Conceição por nos concederem esta bem-aventurança de termos família e amigos de tão elevada virtude, reunindo-nos todos neste dia, desde há 42 anos para cá, precisamente para celebrar esta fortuna. Somos, de facto, abençoados por tal.
2.  Seguidamente, já meu Avô o fazia com exemplar praxis, quero agradecer a todos os aqui presentes, relevando sempre os que pela primeira vez acorrem a este ritual anual. O ano passado tivemos bastantes estreantes da minha geração, primos-bisnetos de D. Maria Haydée e D. José de Lencastre. Este ano, também com novo sangue multigeracional, temos como debutantes os meus Primos Maria Teresa, Miguel e sua filha Margarida Sousa-Cardoso; também meus primos a Carminho Lencastre de Menezes e Cruz, o Diogo Lencastre Torres Pereira da Cunha, o Manuel Gonçalves Henriques; ainda os amigos Isabel Abreu Lima e o António Marramaque e finalmente o meu sobrinho, com apenas um ano de vida, Arnaldo Maria de Vasconcelos e Lencastre Pimentel Barbosa. Sejam todos bem-vindos a estas reuniões e possam todos vós, a partir de hoje, ser presenças assíduas nos próximos 8 de Dezembro aqui em Braga.
3.     Para todos os estreantes e também para as gerações mais novas aqui presente, quero hoje falar-vos um pouco mais da história das pedras que nos rodeiam e da sua forte ligação à nossa família. Na verdade, para o fazer, não precisei de recorrer a um estudo intensivo de livros da história, heráldica e genologia. Uma das bênçãos que Deus me concedeu, foi o de poder viver com um Avô até aos seus 104 anos. O legado escrito que ele deixou é devera muito vasto. Bastou-me, portanto, fazer um breve apanhado das intervenções de meu Avô nestas reuniões anuais, para conseguir consubstanciar um breve resumo sobre o que nos faz estar aqui todos os anos. Passo então a ler-vos alguns excertos dessas intervenções – ler notas históricas.

Possamos nós manter as forças de espírito para continuar a cumprir este legado com quase 500 anos de história. Façamo-lo com dignidade e orgulho. Recordemos os que já cá não estão connosco, mas que nos protegem lá de cima. Tenhamos coragem de lhes seguir o exemplo de Fé e Portugalidade, para sermos também nós exemplo para os mais novos.
Na verdade, se já cumprimos com este legado nesta Capela, maior obrigação temos então de cumprir com o legado maior que é Portugal – um legado que se está a perder, pois, se não o fizermos, queridos familiares e amigos, o nosso grito tradicional de regozijo e também de revolta, deixa de ter sentido:

PORTUGAL! PORTUGAL! PORTUGAL! VIVA!


Seguiu-se um almoço-convívio no restaurante “Insólito” (253 206 420), em Braga, no final do qual, cumprindo a tradição, D. Gaspar de Lencastre leu para todos a Acta, relativa à reunião familiar do ano de 2018, seguido da indicação dos nomes de todos os presentes no almoço-convívio por essa ocasião, esta última realizada por Maria Joana Lencastre Torres Vieira Pouzada.

Notas Históricas

Estas notas foram baseadas em diversos escritos de meu Avô, D. António de Lencastre, 13º. Administrador do Morgadio dos Coimbras. Será possível obter mais informações e com maior pormenor, recorrendo-se à diversa literatura existente sobre o tema.

Capela dos Coimbras

Em princípios de 1500, o Dr. João de Coimbra, à época o Provedor do Arcebispado de Braga, instituidor do Morgadio dos Coimbras, mandou construir a Capela de Nossa Senhora da Conceição da Guia, mais tarde conhecida como Capela dos Coimbras, entregando a sua construção a um dos célebres irmãos Castilhos, enquanto a sua decoração interior a João de Ruão e a estatuária exterior a Hodart, tendo estes artistas vindo na altura das obras na Sé de Braga, na altura culminada com o maravilhoso recanto da Senhora do Leite – isto nos ensinou o sábio Professor Doutor Nogueira Gonçalves, finado docente da Universidade de Coimbra (…)


Nesta Capela, que o Dr. João de Coimbra escolheu para seu sarcófago e na qual se encontra sepultado, viria a assentar também a sede do Morgadio dos Coimbras que ele instituiria por 1530, por mercê de El Rei D. João III (…)


A tampa da sepultura, no chão da Capela, é de formato retangular de avultadas dimensões e, se é permitido estabelecer analogia com o sepultado, terá sido de desenvolta estatura o Dr. João de Coimbra. O brasão de armas, esculpido no tampo tumular de granito, está bastante puído, do muito correr de fiéis durante estes últimos quinhentos anos (…)

O orago desta capela é Nossa Senhora da Conceição da Guia, assim denominada pelo eminente arqueólogo Padre Manuel de Aguiar Barreiros.

A sua estátua, de beleza incomparável, que centraliza o retábulo do Altar, bem como as duas que a ladeiam, de Santa Ana e São Joaquim, são do notável João de Ruão.

As figuras do Túmulo de Cristo já não lhe são atribuídas, mas saídas da sua oficina, por ele mesmo dirigida. Meu Avô admitia, contra a opinião do falecido professor da Universidade de Coimbra Padre Doutor Nogueira Gonçalves, em carta por ele escrita e assinada, que no grupo haja duas figuras, uma feminina e outra masculina, que poderão ser da sua autoria. O Padre Nogueira Gonçalves diz ainda que as estátuas exteriores são de Hodart e que a construção da Capela terá sido obra de um dos irmãos Castilho (…)

Ruão e Hodart faziam parte do grupo de biscainhos contratados por D. Diogo de Souza, que fizeram as obras na Sé e que o Dr. João de Coimbra aproveitou para erguer a esta Capela. Nas traseiras da Sé, lá figura aquela magnífica estátua da Senhora do Leite, de João de Ruão (…)



Dr. João de Coimbra, o nosso valoroso antepassado

João de Coimbra, doutor em degredos, foi Provisor e Vigário Geral do Arcebispado de Braga, deverá ter vindo de Lisboa, fins de mil e quatrocentos, princípios de quinhentos, a ocupar o lugar de Provisor do Arcebispado quando este pertencia ao Cardeal Alpedrinha, D. Jorge da Costa, ou ao seu irmão homónimo, residindo o primeiro no Vaticano, em Roma, sem nunca ter vindo a Braga (…)

Em 1505, vem ocupar o Sólio de Primás das Espanhas o Senhor D. Diogo de Souza e Vasconcelos, que até aí tinha sido Bispo do Porto. De todos os Arcebispos de Braga é este o que mais se singulariza na urbanização e arquitectura da Cidade. Manteve como seu Provisor o Dr. João de Coimbra. (…)

Segundo o heraldista, José Machado, o Dr. João de Coimbra terá tido três filhos: Cristovão, Amador e V. Manuel.

Cristovão, o mais velho e Administrador do Morgado, perfilhado em testamento, meu 12º Avô, por sua 4ª neta, Dona Serafina ser filha e herdeira única e ter casado com João de Queiroz Botelho de Vasconcelos, meu 7º Avô por varonia, vindo assim a ser minha 7ª Avó (…)



Por último, entre outras disposições testamentárias, o Dr. João de Coimbra rogou a todos os seus descendentes das gerações futuras, a celebrar uma vez por ano uma Missa pela sua alma na Capela de Nossa Senhora da Conceição da Guia, por ele construída. Aqui estamos nós, seus descendentes, hoje aqui, a honrar as suas disposições, a seguir com o Morgadio que ele fundou e a transmiti-lo às próximas gerações.

Apenas a Família permite prolongar uma cadeia tão bonita ao longo dos séculos.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

Presentes - Reunião Familiar de 2019

  • D. Rodrigo de Coimbra Queiroz de Vasconcelos e Lencastre
  • Elisa Cunha e Silva
  • Maria Luísa Sousa Cardoso
  • Maria da Graça Sousa Cardoso
  • Maria Isabel de Sousa Vasconcelos e Lencastre
  • Maria Manuela Forbes de Bessa Lencastre
  • Maria Margarida Canedo de Queiroz Vasconcelos e Lencastre
  • Ana Catarina Canedo Lencastre
  • Mariana Canedo de Coimbra Vasconcelos e Lencastre
  • Sílvia Cardoso de Coimbra Vasconcelos Lencastre
  • Arnaldo Maria Vasconcelos Lencastre Pimentel Barbosa
  • Carlos G. Lencastre Torres Vieira Pouzada
  • João Teixeira Borges Torres Pouzada
  • Rita Teixeira Borges Torres Pouzada
  • Maria Alexandra Teixeira Borges Pouzada
  • Maria Margarida Ribeiro Godinho de Resende dos Santos
  • Pedro Jorge Pias Canedo
  • Manuel Lencastre Torres Gonçalves Henriques
  • Isabel Abreu Lima
  • António Maria de Lencastre Torres Pereira da Cunha
  • Diogo de Lencastre Torres Pereira da Cunha
  • Maria do Carmo de Queiroz e Lencastre Menezes e Cruz
  • João de Vasconcelos e Lencastre de Menezes e Cruz
  • D. Gaspar de Coimbra Torres de Queiroz Vasconcelos e Lencastre
  • Maria Francisca Côrte-Real de Noronha Freire de Andrade de Souza-Cardoso
  • Pedro Maria Quelhas Lima de Souza-Cardoso
  • Maria José Freire de Andrade de Souza-Cardoso
  • José Carlos Lencastre Torres Vieira Pouzada
  • Carlos Luís Teixeira Borges Torres Pouzada
  • Maria Joana Lencastre Torres Vieira Pouzada
  • António José Huet de Bacelar Pereira Marramaque
  • Maria Margarida Quelhas Lima de Souza-Cardoso
  • Maria Teresa Pais Quelhas Lima de Souza-Cardoso
  • Miguel de Magalhães Queiroz de Souza-Cardoso
  • Luís da Gama Pimenta de Castro Damásio
  • Maria do Patrocínio Queiroz de Sousa Cardoso
  • Sílvia Lencastre da Silva Torres de Castro Henriques
  • Maria José Lencastre da Silva Torres de Vasconcelos e Lencastre
  • Maria Ema Aguiar Queiroz Botelho de Sousa
  • Nuno de Queiroz e Lencastre Silva Torres
  • Ana Almeida Fernandes

Presentes apenas na Missa:
  • José Luís Canedo

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

8 de Dezembro de 2018

Casa dos Coimbras - Reunião Familiar


Missa pelas 11:30 horas na Capela da Nossa Senhora da Conceição da Guia, celebrada pelo Reverendíssimo Cónego António Macedo, com homilia em honra de Nossa Senhora da Conceição, Padroeira de Portugal.

Antes da Missa, o 14º Administrador da Capela e Casa dos Coimbras, D. Rodrigo de Coimbra de Queiroz Vasconcelos e Lencastre, proferiu as seguintes intenções da Missa:

“1ª. A primeira intenção será pela alma do Dr. João de Coimbra, nosso valoroso antepassado, Provedor do Arcebispado de Braga e instituidor do Morgadio dos Coimbras por inícios de 1500, altura em que mandou construir esta Capela, fundando-a como cabeça desse mesmo Morgadio e escolhendo-a também para seu sarcófago, na qual se encontra sepultado.

2ª. O segundo sufrágio e o mais importante será pela alma de D. Maria da Eucaristia Lencastre Cruz, nossa querida Tia Castia, irmã do 13º. Administrador do Morgadio dos Coimbras, D. António de Lencastre e que morreu no passado dia 9 de Julho, na cidade brasileira de Recife.
Várias vezes presente nestas reuniões anuais, a Tia Castia será sempre lembrada por nós com todo o carinho e admiração pelo seu exemplo de Mulher Cristã, Portuguesa de alma, Mãe incansável e Avó zelosa e doce. A sua serenidade e o seu sorriso deixavam já antever em vida a felicidade e paz eterna que certamente está hoje a partilhar no Céu, junto dos seus Pais, seu Marido e seus Irmãos, já idos. 

3ª. O terceiro sufrágio será ainda pelas almas de D. António de Lencastre e D. Miguel de Lencastre, meu Avô e meu Pai saudosos. Como primogénitos das suas gerações, coube-lhes a responsabilidade em vida de dar seguimento a estas reuniões familiares e honrar o testamento do Dr. João de Coimbra. Com muita saudade os recordamos e pedimos o seu legado continue por muitas gerações do amanhã. 

4ª. Como quarta intenção, gostaria de fazer uma Ação de Graças por D. Margarida Maria Lencastre, nossa Tia Guidinha. Passados estes últimos anos impiedosos com o desaparecimento físico de muitos dos irmãos da geração viva mais antiga da nossa família, os filhos de D. Maria Haydé e D. José de Lencastre, a Tia Guidinha é hoje para nós a Matriarca e a Inspiração das gerações mais jovens para continuarem a honrar o nome da nossa Família, assumindo os valores que foram transmitidos pelos nossos antepassados e passando-os aos nossos descendentes. Pedimos a Deus que a conserve em saúde e com a alegria e força de espírito únicos da nossa Tia tão querida.

5ª. Pelo restabelecimento do nosso leal e dedicado amigo Sr. Manuel Macedo, Procurador desta Capela, já desde o tempo de vida de meu Bisavô D. José de Lencastre e que no presente se encontra em convalescença difícil. Pedimos assim a Deus que recupere rapidamente a sua saúde. 

6ª. Apesar de serem já muitas as intenções de hoje, mas sabendo que o valor da Eucaristia é infinito, pedimos ainda a Deus por todos os aqui presentes nesta Celebração, familiares e amigos, que comungamos e celebramos neste dia o Sangue e a Amizade, sob proteção e com as bênçãos de Nossa Senhora da Conceição da Guia, Padroeira desta Capela.“


Após a Missa, seguiu-se o tradicional brinde com vinho fino do Douro, tomado na Sala do Capítulo da Torre dos Coimbras, durante o qual D. Rodrigo Lencastre proferiu palavras de boas-vindas a todos os convidados, baseadas nas seguintes notas previamente preparadas:

Como é nosso bom costume e dever, as minhas primeiras palavras são dirigidas a Deus e a Nossa Senhora da Conceição (data festiva) pelo privilégio de podermos estar reunidos desde há 41 anos consecutivos para cá nestes dias 8 de Dezembro, este ano rejuvenescido com muitos das gerações mais novas da nossa Família. Por tudo isso fazemos a nossa Acção de Graças.
Como já é também da nossa boa praxe, agradeço também aos presentes: Familiares e Amigos aqui presentes e de uma forma muito especial, os que pela primeira vez acorrem a estas reuniões. Por esta ocasião, são bastantes os estreantes, com vários Primos meus, bisnetos de D. Maria Haydée e D. José de Lencastre, acompanhados dos seus, onde se incluem já alguns trinetos da geração mais nova da Família Lencastre. Sejam todos bem-vindos ao Clã e espero ter-vos sempre por cá, de hoje em diante, nos próximos anos.

Como já referi nas intenções da Missa, os últimos anos têm-nos levado muitos dos nossos Pais, Avós, Tios, Primos e Amigos da geração mais antiga. Para os lembrar e celebrar o seu legado, estamos também hoje aqui, reforçando ainda mais a importância deste dia para nós. Os que ficam prolongam a existência dos que já partiram, mantendo-os vivos nos nossos corações e nos Princípios e Valores que passamos aos nossos filhos e netos.


Num tempo muito difícil e de incertezas como é o do Portugal de hoje, em que nos é imposto uma letargia de ideais e uma apatia nas convicções, torna-se cada vez mais primordial assumir, viver e defender com orgulho esses mesmos Princípios e Valores que bebemos dos nossos Pais e Avós: valores cristãos na Fé, patrióticos na nossa Portugalidade e leais no amor à nossa Família e Amigos e na dignidade do Homem Justo e Bom.
Não tenhamos pois medo das palavras, nem vergonha de falar em Honra e Verdade, porque elas existem e estão em nós. Originalmente estão na alma de todo o ser humano. Todos nascemos com elas em nós, mas nem todos as conseguimos manter íntegras no corpo e na alma. Saibamos nós mantê-las sempre vivas e intactas, sendo exemplo para os mais novos e aspirando ao Homem Novo de São Paulo: Homem em Cristo no Bom Combate por um mundo melhor, mais humano e mais cristão.

Por último, gostaria apenas de partilhar uma última reflexão minha: esta Capela, sua Torre e Casa dos Coimbras são, na verdade, muito mais que muros trabalhados ou que monumentos de valor histórico. Para nós que aqui estamos, elas são as pedras vivas da nossa Família e de todas as gerações que passaram por esta sala do Capítulo. E o que mais não são estas pedras vivas do que este Legado Espiritual que aqui vivemos hoje e que vai passando de Pai para Filho para Neto e assim sucessivamente, abraçando os nossos amigos mais próximos que connosco vivem e partilham este espírito, não só em união, mas também em unidade connosco? A vida destas pedras somos nós e a argamassa que nos sustém são os laços de sangue e de amizade resiliente, entre todos os que aqui estiveram, os que estão e os que aqui estarão dentro de cem anos, se Deus o permitir. 

Em honra a este legado espiritual, em Família partilhada e alargada aos verdadeiros Amigos aqui presentes, dêmos então Vivas a Deus, a Nossa Senhora da Conceição, a Portugal e a todos nós aqui presentes:

PORTUGAL! PORTUGAL! PORTUGAL! VIVA!“


Seguiu-se um almoço-convívio no restaurante “Insólito” (253 206 420), em Braga, no final do qual, cumprindo a tradição, D. Gaspar de Lencastre leu para todos a Acta, relativa à reunião familiar do ano de 2017, indicando também os nomes de todos os presentes no almoço-convívio por essa ocasião.

Presentes - Reunião Familiar de 2018

  • D. Rodrigo de Coimbra Queiroz de Vasconcelos e Lencastre
  • Mariana Kendall Forbes de Bessa Lencastre
  • Maria Luísa Sousa Cardoso
  • Maria da Graça Sousa Cardoso
  • Elisa Cunha e Silva
  • Maria Isabel de Sousa Vasconcelos e Lencastre
  • Maria Manuela Forbes de Bessa Lencastre
  • Pedro Maria Quelhas Lima de Souza-Cardoso
  • Maria Francisca Corte-Real de Noronha Freire de Andrade de Souza-Cardoso
  • Maria José Freire de Andrade de Souza-Cardoso
  • Mariana de Santiago Sottomayor de Brito e Faro
  • Francisco Xavier de Queiroz e Lencastre Fleming Torrinha
  • Miguel de Queiroz e Lencastre Duarte Monteiro
  • Germano de Coelho e Lencastre da Silva Torres
  • António Maria de Lencastre Torres Pereira da Cunha
  • José Carlos Lencastre Torres Vieira Pouzada
  • Sílvia Cardoso de Coimbra Vasconcelos Lencastre
  • Maria do Patrocínio Queiroz de Sousa Cardoso
  • Luís da Gama Pimenta de Castro Damásio
  • Maria José Lencastre
  • António Lencastre Menezes e Cruz
  • Sílvia Lencastre da Silva Torres de Castro Henriques
  • António de Castro Henriques
  • Maria Ema Aguiar Queiroz Botelho de Sousa
  • Nuno de Queiroz e Lencastre Silva Torres
  • Ana Almeida Fernandes
  • Maria de Sepúlveda Queirós Lencastre
  • Maria Margarida Ribeiro Godinho de Resende dos Santos
  • Mariana Lencastre Torres Vieira Pouzada Ramos
  • Maria Torres Pouzada Duarte Ramos
  • Maria Leonor Torres Pouzada Duarte Ramos
  • Margarida Maria Torres Pouzada Duarte Ramos
  • Pedro André Duarte Braga Ramos
  • D. Gaspar de Coimbra Torres de Queiroz Vasconcelos e Lencastre
  • Pedro Lencastre Torres de Castro Henriques
  • Tânia Machado de Almeida
  • André Stoffel
  • Carlos G. Lencastre Torres Vieira Pouzada
  • Maria Joana Lencastre Torres Vieira Pouzada
  • Pedro Jorge Pias Canedo
  • Rodrigo Cochofel Hölzer e Brito
  • José Luís Cid Lacerda e Megre
  • Carlos Luís Pouzada
  • Maria de Guadalupe Madeira de Vasconcelos Stoffel
  • Maria da Graça Madeira de Vasconcelos Stoffel
  • Maria Margarida Canedo de Queiroz Vasconcelos e Lencastre
  • Mariana Canedo de Coimbra Vasconcelos e Lencastre
  • Rita Pouzada
  • Ana Catarina Canedo Lencastre
  • Rafael Lencastre de Menezes e Cruz Dueire Lins
  • João Lencastre de Menezes e Cruz
  • Maria Isabel Legrand de Coimbra de Vasconcelos e Lencastre


Presentes apenas na Missa:
  • Júlia Canedo
  • José Luís Canedo
  • Nuno de Saavedra de Coimbra e Camanho de Lencastre
  • Paulo de Neville da Cunha Sepúlveda de Lencastre
  • Maria Teresa de Coelho e Lencastre da Silva Torres
  • José de Queiroz e Lencastre da Silva Torres Lencastre
  • João da Costa e Silva


quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

A "Conceição" na cidade de Braga

Escrito por Rui Ferreira, publicado na secção temática "Trilhos Braguenses" do Diário do Minho a 04.12.2017

O último significativo espaço de culto devotado à Conceição de Maria surgiu em 1924. O Seminário Menor, instalado sobre o antigo recolhimento dominicano de Tamanca, foi uma iniciativa do Arcebispo D. Manuel Vieira de Matos.

O culto de Nossa Senhora da Conceição encontra um profundo enraizamento na cidade de Braga. Numa pastoral enviada a toda a Arquidiocese de Braga em 1904, o Arcebispo Primaz D. Manuel Baptista da Cunha afirmara que “esta nossa cidade de Braga a nenhuma outra cedeu o lugar de devotíssima deste santo mistério, muito antes de definição dogmática”. A afirmação, que podia aparecer como mera apologética, acaba por encontrar na história uma profícua verificação.

Se o santuário do Sameiro se afirmou inequivocamente como o mais relevante centro de devoção à Imaculada Conceição em Portugal, antes da sua fundação já na cidade de Braga existiam inúmeros focos desta invocação. A 24 de fevereiro de 1647 a cidade de Braga foi consagrada a Nossa Senhora da Conceição, dando sequência ao que já havia ocorrido no sínodo da diocese ocorrido uma década antes.

O século XVI terá sido o momento em que esta invocação mariana foi introduzida na cidade de Braga, mais propriamente por intermédio de D. João de Coimbra, o Provisor do Arcebispo D. Diogo de Sousa. A capela de Nossa Senhora da Conceição, mais conhecida pelo nome da família que a edificou, é a primeira manifestação significativa deste ideário devocional.

A chegada dos franciscanos à cidade de Braga em 1523 haveria de precipitar uma progressiva implantação deste culto. Primeiro no convento dos capuchos da Piedade em S. Jerónimo de Real, no século seguinte com a fundação de um convento de inspiração franciscana denominado “da Conceição” na antiga rua dos Pelames e, na mesma centúria, com a edificação da igreja dos Terceiros cujo padroado está confiado a Nossa Senhora da Conceição. Ao mesmo tempo, em diversos espaços de culto ia sendo instaurada a devoção “nacional”, que o rei D. João IV proclamava padroeira de Portugal a 25 de março de 1646.

Na ancestral porta medieval de Santiago haveria de surgir o mais importante núcleo devocional de Nossa Senhora da Conceição, cuja imagem haveria de ser declarada “especialíssima defensora da Augusta Braga”. O Oratório de Nossa Senhora da Torre, que haveria de ser monumentalizado sob projeto de André Soares após o terramoto de 1755, encontra-se instalado naquela torre medieval desde meados do século XVII.

A capela do Paço do Arcebispo, edificada no início do século XVIII, também iria adotar como padroeira de Nossa Senhora da Conceição. No mesmo período é fundado o convento da penha de França, devotado à mesma invocação.

Um dos espaços mais relevantes do culto a Nossa Senhora da Conceição existentes na cidade de Braga foi, durante um período significativo, uma ermida sob esta invocação localizada no chamado “Monte das Penas”, que haveria de tornar-se na sede da paróquia de Maximinos após a demolição da primitiva “parochial”.

Os principais templos da cidade de Braga acabaram por ver refletida esta invocação mariana, nomeadamente os que estavam adstritos às ordens religiosas masculinas. Os carmelitas, historicamente fiéis à causa imaculista, exibem no interior do seu templo uma capela lateral dedicada a esta invocação. A igreja do Pópulo detém igualmente uma elegante capela lateral do período barroco instituída sob esta devoção mariana. Também a igreja do antigo Colégio de São Paulo possui uma capela lateral devotada a Nossa Senhora da Conceição inserida numa rara iconografia da árvore de Jessé.

Para completar o périplo pelos conventos masculinos bracarenses, falta abordar os Congregados, antigo convento dos oratorianos. Nas dependências do templo exibe-se um pequeno oratório, denominado de capela do Monge, que impressiona pelo requinte decorativo. Devotado, segundo as crónicas, a Nossa Senhora Aparecida, exibe no seu retábulo uma imagem mariana cuja representação iconográfica corresponde à de Nossa Senhora da Conceição. Além do convento, os Oratorianos possuíam uma “casa de campo para sua recreação”. Localizava-se no lugar das Goladas, e detinha uma ermida devotada a Nossa Senhora da Conceição.

Também a Sé Primaz possuía uma especial veneração a Nossa Senhora da Conceição. No antigo claustro de Santo Amaro, desmantelado aquando das obras promovidas pela DGEMN, existia um oratório sobre a porta da capela de São Geraldo devotado a esta invocação mariana, que havia sido instituída em 1606 pelo Cónego Francisco da Costa, o mesmo que esteve na origem do surgimento da Ordem Terceira na cidade de Braga.

A fundação do santuário do Sameiro a partir de 1863 haveria de confirmar esta especial predileção bracarense pela devoção a Nossa Senhora da Conceição. Erigido em comemoração do dogma da Imaculada Conceição, tornar-se-ia num dos maiores centros de devoção mariana em Portugal.
Apesar de Vila Viçosa deter a imagem mariana coroada pela mão do monarca português e de Coimbra lhe ter consagrado a mais antiga academia nacional, não sobram dúvidas de que foi a cidade de Braga a que mais testemunhos acumula desta tão discutida invocação e também a que lhe dedica maior vitalidade.

Retábulo da Capela dos Coimbras, dedicado a Nossa Senhora da Conceição,
ladeada por sua mãe Santa Ana (à direita) e seu pai São Joaquim (à esquerda)

Um debate secular
Uma mulher vestida de sol, coroada com doze estrelas, esmagando uma serpente e com a lua debaixo dos pés. Prevista no pensamento divino desde toda a eternidade, nela se cumpriu o projeto de salvação da humanidade que os judeus anunciaram ao longo de séculos. Debatida ao longo de séculos, a sua conceção isenta de mácula vai tornar-se uma problemática sobretudo filosófica e teológica. Apesar das divergências racionais e da ausência de fundamentação bíblica, a conceção imaculada de Maria começou a ser celebrada nomeadamente no Oriente. A partir da Idade-Média os franciscanos vão propagar esta devoção nos lugares onde detinham singular influência. Seria precisamente um Papa franciscano, Sisto IV, quem no ano de 1477 haveria de integrar a festa de Nossa Senhora da Conceição no calendário litúrgico. A constituição apostólica “Sollicitudo Omnium Ecclesiarum”, publicada por Alexandre VII a 8 de dezembro de 1661, limitaria a dialética que a proclamação dogmática “Ineffabilis Deus”, empreendida pelo Papa Pio IX em 1854, encerraria.

* Texto escrito em conformidade com o novo acordo ortográfico.